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domingo, 11 de dezembro de 2016

Josué Montello

    Livro do mês:

  Antes de focar o autor referido no título, permito-me desfiar algumas palavras preliminares. Em consideração aos mais de trezentos acessos diários, entabulo (certas palavras precisam ser usadas, para não perderem a serventia) um breve papo de fim de ano.
      Vivemos tempos complicados no país. A corrupção grassa nas altas esferas, com reflexos negativos para toda a sociedade, como se sabe. O ensino público nunca esteve tão precário, a universidade chega a nos envergonhar por suas opções e ineficiência, não há segurança efetiva que nos proteja de bandidos e o pior, o que já padecia de abandono, vai ao deus dará. A cultura. Vivemos num país em que os valores culturais são distorcidos, os verdadeiros obreiros da cultura não são reconhecidos. Anos atrás dizia-se que um par de chuteiras de Pelé valia aqui mais que as obras completas de Machado de Assis. Não mudou nada. Pelo menos, nos últimos anos testemunhamos a Justiça acordar de seu sono profundo e algumas investigações começaram a cursar, mirando aqueles que praticaram ilícitos, mesmo entre os poderosos. A sociedade, vigilante, apóia esse esforço para prender os culpados, aqueles que se serviram do dinheiro público em proveito próprio.
      Leio um romance de Josué Montello, um autor de grandes méritos, que deixou uma obra imensa e de alta qualidade. Participa do rol dos grandes criadores, numa posição de destaque que os pares ratificam. Sua importância evidencia-se quando o vemos analisado entre os grandes romancistas do século XX, em lugar merecido na monumental obra A literatura no Brasil, dirigida por Afrânio Coutinho. Infelizmente, esquecido. Em tempos em que os maiores prêmios se veem um tanto descaracterizados (o Nobel de 2016 o ilustra a contento), esperar o que, em proporções nacionais?

                                                   (Imagem: pt.wikipedia.org)

      Pela primeira vez, o livro do mês é um livro que ainda leio, e com grande interesse: Cais da sagração. Escrito por um autor talentoso, dotado de pleno domínio dos processos romanescos: apuro de linguagem, gosto pelo detalhe, enredo atraente, sem efeitos mirabolantes. O romance elege como protagonista um barqueiro de grande experiência, o Mestre Severino. À sua volta, movimentam-se personagens pitorescas e histórias vivas, com amplo espectro de motivações e surpresas. Divirto-me um bocado.

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