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sábado, 16 de novembro de 2013

Mensalão: o começo do fim

      Ontem, 12 dos 25 réus do Mensalão tiveram a prisão imediata decretada pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e relator do processo, Joaquim Barbosa. Movimento inusitado na Polícia Federal de Belo Horizonte. Maior escândalo de corrupção na história do país nos dias que correm, o caso envolve operações e desvios de dinheiro público para a compra de apoio parlamentar ao primeiro Governo Lula. As penas começam a ser cumpridas.


      Em abril de 2006, o procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, apresentou denúncia ao STF contra 40 acusados, envolvidos no esquema, que já circulava em notícias da imprensa. O procurador referia-se claramente a uma quadrilha que dilapidava os cofres públicos. Ontem, sete anos após a denúncia, os principais condenados foram presos. Graças à imprensa e ao redobrado esforço do relator, o processo encaminha-se para seu desfecho, não sem antes enfrentar tentativas de postergação dentro e fora do STF. Em Belo Horizonte, onde se concentram os condenados ligados ao empresário Marcos Valério, conhecido como operador do esquema, e ao grupo financeiro que deu suporte às transações, a movimentação na sede da Polícia Federal foi grande: sete sentenciados se entregaram. Hoje à tarde um jato da Polícia Federal, trazendo de São Paulo dois condenados (José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil do governo Lula, e José Genoino, ex-presidente do PT) aterrou no aeroporto da Pampulha, recolheu os sete de Minas e rumou para Brasília.  Na capital, passarão pelo Instituto Médico Legal, antes de serem conduzidos para a Penitenciária da Papuda (regime fechado) ou o Presídio Feminino. O julgamento continua no próximo ano, discutindo o crime de quadrilha e outros embargos. Dos 12 condenados com mandados de prisão imediata, um deles, Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, apenado em regime fechado, fugiu para a Itália: possui dupla cidadania.
      A prisão dos condenados no dia da República é emblemática. A sociedade reconhece o empenho do presidente do STF e espera que as penas sejam cumpridas com rigor. Os jornais mineiros registram a reação do professor Valerí Dornas, que, de moto, em frente à sede da PF, parabenizou a Justiça e a polícia, num megafone: "Eu achava que ia morrer sem ver político indo para a cadeia". Mas precisa ficar claro: são políticos presos, não presos políticos. Aproveitaram-se do poder para roubar dinheiro público, são bandidos, corruptos de  colarinho branco.  Outros, igualmente envolvidos, precisam  ser presos.


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