Total de visualizações de página

Pesquisar este blog

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Feira de Livro homenageia rapper

      Pontos para o poeta Fabrício Carpinejar. Irritado com o exagerado cachê de R$170 mil para o rapper Gabriel O Pensador patrocinar a Feira do Livro de Bento Gonçalves (RS), o autor do belíssimo Um terno de pássaros ao sul (2008) e de uma dezena de outros títulos, prêmio Olavo Bilac da ABL, cancelou sua participação no evento, a se realizar entre os dias 5 e 16 de maio. Teria dito: "Nada contra o Gabriel, mas contra esse valor abusivo, que chega a ser sobrenatural. R$170 mil quase se equipara ao Prêmio São Paulo de Literatura, de R$200 mil". A Prefeitura justificou que o cachê inclui um show, palestras e livros que serão distribuídos a escolas da cidade. Que livros?, pergunta-se.


      Nada contra ninguém. Mas o seu a seu dono. Feira de livro deveria ser evento que envolvesse pessoas ligadas ao livro - editor, livreiro, autores. No Brasil persiste a mentalidade provinciana e atrasada que associa público (qualquer público) a celebridades. Quanto mais do espetáculo, melhor. Só aqui acontecem coisas assim. Se é para promover o livro e a leitura, não se entende porque o foco recai em nomes de outras áreas. Passou da hora de mudar esse paradigma. Pode-se argumentar que o livro é um lugar aberto, receptivo a todas as áreas. Tudo bem, se houvesse a contrapartida dessas outras áreas, o que não ocorre. Fica parecendo que o apelo ao livro e escolas, com interesses pedagógicos fajutos, justifica superfaturar megaeventos. Os financiamentos públicos são pródigos para investir em festivais com finalidades pretensamente culturais e pedagógicas. Os autores que participam conhecem o trivial. A eles, são oferecidos transporte, alimentação e hospedagem (quando for o caso). Como se o escriba ficasse honrado por ver seu nome entre os participantes, a reboque de cachês milionários pagos a celebridades quase sempre de renome discutível e qualidade pífia. Apresentadores de televisão, autores de autoajuda, galãs de novela e disponíveis (e supostas) unanimidades  do disco são figuras carimbadas nessas Feiras de Livro, nas quais caem de paraqueda para autografar o último livro que  uma agência de publicidade acabou de montar. Convenhamos. Pelo andar da carruagem, teremos em seguida Feiras de Livro patrocinadas por pagodeiros, fuzileiros navais, atletas do ringue, anspeçadas, DJs, meirinhos, globe writers, artilheiros da Copa Brasil e por aí vai. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário