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sábado, 12 de novembro de 2011

Homenagem a Rui Mourão


Na foto, Rui Mourão e eu, no jardim do anexo do Museu da Inconfidência.
     Tento registrar, em síntese, o que se passou na mesa em homenagem a Rui Mourão, no Fórum das letras, no dia de ontem, em Ouro Preto. Inclusive os incidentes insólitos, reveladores do formato informal, pouco cerimonioso, do evento. A idealizadora Guiomar de Gramont, num ato falho compreensível diante do volume de tarefas, anuncia, para compor a mesa, o senhor Edgar da Mata Machado. Duas personalidades com esse nome, já falecidos: um poeta simbolista (1878-1907), o outro um jurista católico (1914-1995), ambos famosos. Permaneço imóvel na platéia. Aquilo não era comigo. Topar fantasmas, poetas loucos  e alferes inflamados nas ladeiras e esquinas de Ouro Preto não é algo improvável. A meu lado, galhofeiro, meio sorriso estampado no rosto, Jaime do Prado Gouvêa, editor do Suplemento literário do Minas Gerais, brinca: "Edgard, você é irmão do Ayres da Mata Machado".  De pronto, Guiomar de Gramont consertou, pediu desculpas e teve início a sessão, dali em diante mediada por Armando Wood. Este considerou que as mulheres devem ter prioridade e passou a palavra para Maria do Carmo Lanna Figueiredo.
     Em breve exposição, Maria do Carmo L. Figueiredo desenvolveu com lucidez dois aspectos relacionados ao romance Boca de chafariz: a relação igualitária dispensada a dois personagens que representam o universo das artes, ficcionalizados de forma não-hierárquica, Aleijadinho e Bené da flauta; a presença e simbologia da água, já anunciada no título, como elemento ligado à memória e à diversidade de vozes que permeiam a narrativa. A debatedora passou a palavra para o escritor Rui Mourão que reconheceu, entre outras coisas, que toda interpretação é válida, desde que coerente. Caso contrário, é uma fantasia, afirmou.
     Em minha exposição, centrei-me no romance Curral dos crucificados, de 1971. Após comentar o impacto causado à época do lançamento, focalizei a importância que assumem na obra de Rui Mourão a crítica social e a inovação das estruturas narrativas. Romance extremamente multifacetado, Curral dos crucificados representa a confluência de inúmeros motivos do romance nordestino (o retirante, a repressão policial, a seca, a viagem para o sul) e antecipa rumos da ficção brasileira (o romance documentário do fim dos anos 70 e 80, em especial A festa, de Ivan Ângelo). Questionado sobre suas intenções como militante do grupo Tendência e produtor de ficção, Rui Mourão discorreu a respeito da contextualização do ufanismo na literatura brasileria, como se deu a crítica a essa postura na modernidade, a contrapartida do romance nordestino como uma elaboração excessivamente conteudística, com um tratamento ingênuo na linguagem.
 

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