
(A imagem é de Marcelo Prates, do Hoje em dia. )
Após quase dois meses em coma, em sequela de acidente vascular cerebral, morreu dia 29 último, no Hospital Vila da Serra, o poeta, jornalista e talentoso repórter cultural Alécio Cunha, aos quarenta anos.
Editor de cultura do Jornal Hoje em dia, desde 1995, manteve uma atuação de referência, comentando os lançamentos literários e eventos artísticos no âmbito estadual e nacional. Suas resenhas, fundamentadas em sólida bagagem cultural, com trânsito em várias áreas do saber, escritas de forma elegante, cumpriam a contento e com desenvoltura a função de determinar o contexto e a importância do objeto resenhado, destacando os tópicos relevantes e os núcleos temáticos mais salientes. Sua produção poética compreende dois títulos, Lírica caduca (1999) e Mínima memória (2007), tendo publicado ainda o ensaio Mário Mariano, voltado para as artes plásticas. Entre as produções recentes, destacam-se apreciáveis crônicas, calcadas no memorialismo.
Estive uma vez com Alécio Cunha, na redação do Hoje em dia, divulgando lançamento de livro. Impressionaram-me, além da disponibilidade e do trato afável, a memória prodigiosa e os excessivos dados enunciados sobre meu trabalho. Duas vezes enviei-lhe mensagem, por e-mail, uma agradecendo a resenha sobre O lobo do cerrado, a outra solicitando autorização para publicá-la no site clickescritores.com.br. Uma página admirável de pródigas e certeiras reflexões. Disse que nem precisava pedir licença.
Diante do irremediável, uma coisa é certa agora. Na editoria etérea e definitiva, abarrotada de tesouros, entre bandeirolas e guirlandas, teve festa e os dois brincaram muito. Ele e o outro bonachão.
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