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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sorvete sabor saudade



Elias José (1936/2008)


Apesar de ser início de agosto, faz calor, um sorvete à tarde fica bem. Lembra ainda uma novela de Elias José de que gosto muito, Sorvete sabor saudade.

Dia 4 de agosto completa um ano da morte de Elias José. Morreu de pneumonia, em temporada na praia, de férias com a família. Elias José foi um escritor amigo de outros escritores, sempre disposto a orientar e sugerir caminhos. Vivia em Quaxupé. Como escritor de livros infanto-juvenis, seu nome ultrapassa as fronteiras nacionais, era respeitado e reconhecido, os títulos contam-se em mais de quatro dezenas. Alguns sites de pesquisa falam em mais de cem livros. Publicou o primeiro livro de minicontos, (O tempo, Camila, em 1971), gênero em que era mestre com direito a ser reconhecido como um de seus fundadores. Houve uma época nos anos 80 em que muitos cultivaram o miniconto. Em fins dos anos 80 (1989), visitei-o no sul de Minas, lá morava uma sobrinha. Recebeu-me com alegria em sua casa, deu-me dois livros autografados: O grito dos torturados, editado em 1986 pela Nova Fronteira, do Rio; Sorvete sabor saudade, (FTD,1989).

Autor de vasta obra, distribuída em vários gêneros (ficção, poesia, juvenil e infantil) merece admiração e registro, em especial por três títulos de ficção: Um pássaro em pânico, (livro de contos de 1977), Sorvete sabor saudade (deliciosa estória, panorama delicado de situações familiares) e Inquieta viagem ao fundo do poço (Prêmio Jabuti, como melhor livro de contos de 1974). Não lhe conheço toda a obra, mas as três citadas bastam para consagrar um autor. Sorvete sabor saudade é uma interessante novela, cujo entrecho vagamente recordo: pai e filha vão ao cemitério, em dia de finados, onde o pai reencontra antiga namorada, há muito tempo vivendo em São Paulo. A circunstância possibilita a descoberta pela adolescente do sentimento de ciúme, ao perceber no pai algum desequilíbrio e descontrole.

“Terminada a sua parte nas despedidas, Ana virou espectadora. Não tirava os olhos dos dois, quando foi a vez de Gilberto se despedir. E ficou vermelha e enciumada, vendo que eles se abraçavam fortemente e davam beijinhos de um jeito estranho, mais afetivo, mas demorado talvez. O que havia de diferente ela não sabia, não entendia. Poderia até só existir a diferença em sua imaginação. Sabia só que não eram beijinhos formais de amigos que se despedem, mas também não ousaria classificá-los de beijos de namorados. E viu, tinha certeza de que viu, uma lágrima sair dos olhos de Eliana e cair nas mangas da camisa do pai”. (p. 46-47)


Nomeia-me seu amigo nas duas dedicatórias (“Ao amigo Edgard, com a alegria de sua visita a Guaxupé e à minha casa...”). Guardo as melhores recordações daquela visita, mostrou-me um corredor cheio de estantes, várias capas de livros, fotos de eventos literários e parentes espalhadas nas paredes, pareceu-me ser um homem feliz, vivendo numa família adorável. Um escritor reconhecido em âmbito nacional e internacional, com apreciações positivas de Otávio de Faria e Antônio Carlos Vilaça, entre outros.

Um comentário:

  1. Iniciou o texto falando do livro, e cada paragrafo muda de assunto. Quando se começa com um assunto, deve-se continuar no mesmo, sem rodeios.

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