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domingo, 2 de agosto de 2009

Senhora do Destino


(Imagem extraída de: revistaparadoxo.com)

Não sou chegado a novelas de televisão. Acompanho, no entanto, a novela Senhora do destino, da Globo, à tarde, quando posso, alertado por minha mulher. Nunca imaginei chegar a tal mordomia! Sem dúvida, a melhor produção do gênero dos últimos cinco anos. Agradam-me o texto ágil, engajado e poético de Agnaldo Silva e o desempenho dos atores (em especial Renata Sorrah, Suzana Vieira, Caroline Dieckmann, Débora Dolabela, Leandra Leal, José Wilker e Leonardo Viera). As duas primeiras são excelentes, fazem atuações brilhantes. Papel apagado, no caso, o do meu ex-colega de faculdade de Letras, José Mayer. Dois motivos caros, subjetivos e familiares, o nome de duas personagens: a do Carmo, a senhora do destino que lembra o nome de minha mãe; Edgard, o dono do restaurante Monsieur Vatel. Alguns recursos beiram ao extremo de sofisticação: a consagração da protagonista (o desfile da escola de samba) coincide com a invasão de sua casa pela vilã; a derrocada do leilão do quadro de Cézanne sepulta o sonho do motorista Sebastião, que vive imerso em recordação doentia de antiga paixão. Muitos outros elementos concorrem para o alto patamar de qualidade do texto: a temática nordestina (a família fugindo da miséria, ampliada pelo sequestro do bebê); o vasto painel da vida urbana carioca, o conflito entre classe alta decadente e classe média insurgente; as tensões geradas pela união gay (tanto no plano feminino, como no masculino, neste tendendo ao estereótipo); o papel proeminente dos bicheiros na sociedade carioca, o aspecto folhetinesco envolvendo bordel e ascensão social; o componente hilário dos chefões de gangue; o caráter inescrupuloso e mórbido da vilã (além de má, promíscua); o diversificado cenário, que vai do ambiente refinado do Copacabana Palace ao apartamento sombrio de Nazaré Tedesco, com direito a cenas de suspense dignas de Hitchcock, envolvendo a escada serial killer. Agnaldo Silva é sem dúvida o mais talentoso autor de novelas. Uma produção que notabiliza a televisão brasileira. Caso raro em que vale a pena ver de novo.

Um comentário:

  1. Meu caro poeta,
    eu tb curto ver de quando em vez a novela das 8. Gosto mto desta tua leitura do "vasto painel da vida urbana carioca", via Agnaldo. Acho que vc não viu, senão incluiria "A Favorita" entre as melhores dos últimos 5 anos. Essa, até professor de grego clássico viu "de passagem".

    Abç

    N Gurgel

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