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domingo, 23 de agosto de 2009

O conto brasileiro contemporâneo I

(Inicio hoje a divulgação de um ensaio, uma visão panorâmica da ficção brasileira produzida a partir dos anos 70. Dada a sua extensão, optei por dividi-lo em quatro postagens. As referências bibliográficas virão ao final da quarta e última parte).

Quais os contistas relevantes surgidos na década de 70 no Brasil?


Um demorado tour d'horizon à produção ficcional das últimas três décadas daria perspectivas favoráveis aos nomes surgidos em Minas. A evolução do conto mineiro confunde-se com a consolidação do conto brasileiro contemporâneo. Quais os contistas surgidos na década de 70 no Brasil? Antes de responder a esta pergunta, cumpre referir seis nomes tutelares da literatura brasileira, considerados mestres do conto, três deles nascidos em Minas, revelados antes dos anos 70.
O nome maior do conto moderno é Clarice Lispector, cidadã do mundo, nascida na Rússia, brasileira desde os dois meses de idade. Seus livros Laços de família (1960) e Legião estrangeira (1964) são responsáveis por verdadeira inovação nos modos ficcionais, revelando sondagem psicológica, densidade temática, atração pelo enigma, sutileza e intensidade de enunciação.
Outro nome fundamental é Murilo Rubião, cuja estreia aconteceu com O ex-mágico (1947), inaugurando a vertente mágica em nossas letras, retomada depois em A estrela vermelha (1953), Os dragões e outros contos (1965), O pirotécnico Zacarias (1974), A casa do girassol vermelho (1978).
Guimarães Rosa, com a admirável estreia em Sagarana (1946), surge como promessa de uma renovação estética de vulto, como se daria uma década depois, quando em 1956 Grande sertão: veredas e Corpo de baile vieram a lume; retornaria ao conto em Primeiras estórias (1962) e Tutaméia (terceiras estórias) (1967).
Lígia Fagundes Teles apresenta uma narrativa poética, receptiva à oralidade, ao mergulho introspectivo e à dimensão fantástica, em registros soberbos de elaboração formal, como em Jardim selvagem (1965), Antes do baile verde (1972), Seminário dos ratos (1977). Para Fábio Lucas, “Enfim, tudo transcorre na prosa mágica de Lygia como se os fantasmas aparecessem para corrigir a realidade que não conduz ao prazer” (LUCAS, 1999, p.15).
Rubem Fonseca desperta de imediato o interesse pela renovação a que submete a linguagem ficcional, tornando-a ágil e contundente para abordar a temática urbana, dando destaque à violência, em livros fundamentais para a evolução da ficção brasileira contemporânea, Os prisioneiros (1963), A coleira do cão (1965), Lúcia McCartney (1970), Feliz ano novo (1975).
O paranaense Dalton Trevisan impõe-se de forma inconteste pela cuidada elaboração de suas histórias curtas, capacidade de síntese, equilíbrio entre o coloquial e o registro literário, tendência ao relato impiedoso e crítico, em especial pelos livros Cemitério de elefantes, (1964) e O vampiro de Curitiba, (1965).

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