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terça-feira, 21 de julho de 2009

Chute inicial



Acabei de ler, finalmente, o romance Dona sinhá e o filho padre, de Gilberto Freire. Finalmente, porque estava empacado, sem motivação para prosseguir. O autor intromete-se, com digressões eruditas sobre a formação do brasileiro, e do pernambucano, em especial. O enredo é simples, o narrador mostra-se interessado em em conhecer a história de José Maria, um seminarista beato, falecido de fraqueza (febre tifóide?) logo após ser ordenado. Devoto de Nossa Senhora e de São Luiz Gonzaga, o garoto é criado com excesso de mimo pela mãe, a Sinhá. Cresce com características femininas, parecia uma mocinha, sem revelar interesse pelas tarefas e ocupações masculinas. No seminário, os garotos o chamam de sinhazinha, é discriminado por sua configuração nada viril. Um colega de internato, Paulo, o defende dos outros, insinuando-se como amigo e defensor. Quando se espera o desenvolvimento de uma relação homoerótica, nada acontece, a não ser um beijo na boca, dado em Sinhazinha por esse amigo, Paulo Tavares, o qual transfere-se para a França, onde completa os estudos de Medicina. Ao retornar da Europa, o antigo amigo já está morto; Paulo declara-se à viúva, propondo-lhe casamento, como forma de permanecer no Brasil. Em vão. O narrador intercala inúmeras digressões a respeito do caráter do brasileiro, da sexualidade masculina, dos costumes recifenses, configurando um extenso painel histórico, social e antropológico. Há um interesse em criar uma novela moderna, sem os traços naturalistas, mas o narrador acaba enganado em seu projeto.

FREIRE, Gilberto. Dona sinhá e o filho padre. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.

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