Para registrar a morte e homenagear a jornalista, escritora e artista plástica Marina Colasanti, transcrevo parágrafos de Ruy Castro, seu amigo e admirador.
"Marina fez parte da revolucionária geração de garotas do Arpoador que, em fins dos anos 50, varavam Ipanema na garupa das lambretas, pegavam jacaré com os rapazes (um deles, seu irmão Arduíno) e desconfiavam do casamento tradicional. Queriam trabalhar fora, morar sozinhas, seguir carreiras modernas e não deixavam que a culpa imposta pelos padrões sociais interferisse em sua vida amorosa. Ao mesmo tempo, circulavam com gente mais velha e com quem tinham muito a aprender - alguns de seus amigos eram Millôr Fernandes, Rubem Braga, Antonio Carlos Jobim, Lucio Cardoso, Yllen Kerr, Paulo Francis, Enrico Bianco, Otto Lara Resende. À sua maneira, elas já eram feministas - sem ideologia, sem rancor e sem sabê-lo. E, em sua luta pela libertação, liberaram também os rapazes de seu grupo. [...]
Marina começou estudando pintura e gravura na Escola Nacional de Belas-Artes, e tudo indicava que seria artista plástica. Mas o contato com os jornalistas e escritores de Ipanema levou-a para a imprensa. Primeiro na revista Senhor; depois, em 1962, no Jornal do Brasil, onde ficou onze anos e foi responsável por várias colunas importantes; em 1964, ajudou Millôr (a quem namorava) a pôr na rua os oito números de seu tabloide Pif Paf e, finalmente, na Nova, onde converteu sua rebeldia num pensamento próximo do movimento feminista. Em 1968, Marina estreou em livro com Eu sozinha, de crônicas sobre a solidão. Depois, passou a experimentar os diversos gêneros: ensaio, poesia, ficção adulta e infantojuvenil e até contos de fadas. Dois de seus livros são sempre citados entre os melhores já escritos para crianças no Brasil: Uma ideia toda azul (1979) e Doze reis e a moça do labirinto de vento (1982). Mas seu maior sucesso, E por falar em amor (1984, com 120 mil exemplares vendidos), era um longo ensaio sobre a condição da mulher".
Marina Colasanti publicou mais de 70 livros.
CASTRO, Ruy. Ela é carioca. 4a. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2021.

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