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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Josué Montello

        Leio, com interesse, Antes que os pássaros acordem, de Josué Montello, ambientado na capital francesa.. Retrata os anos de chumbo em Paris, década de 40, a segunda grande guerra a mil, a cidade Luz tomada de assalto pelos nazistas. Os conflitos instaurados entre judeus e alemães, os colaboracionistas dando suporte à dominação alemã, breve, mas violenta e sanguinária. O extermínio dos dois lados, a civilização suspensa pelos atos de barbárie, atingindo os civis. Aproxima-se de outros relatos de guerra, em especial da guerra entre Israel e Hamas, se aceitamos a invasão nazista ao território francês como extensão da caçada a judeus na Europa. Enredo pulsante e vertiginoso, com lances de brutalidade sórdida. Um livro marcado por uma atualidade incômoda.

       Josué Montello é o grande intelectual injustiçado na nossa cultura. Ficcionista renomado, construiu uma obra de imensa importância e grandeza, de um implacável mas compreensivo analista do comportamento humano. Autor de uma extensa galeria de títulos, explorou inúmeros temas, instalados em diversos contextos históricos, com invulgar perícia técnica, amplo domínio de recursos narrativos, de sondagem interior, agraciado por farta erudição, além de invejável conhecimento do território parisiense, conquistado através de reiteradas temporadas e vivência no solo francês. Signatário de um laborioso legado ficcional, Montello publicou este livro no Brasil, quando em França se lançava, como dádiva de primavera, a sua obra-prima,  Os Tambores de São Luís, (Les Tambours noirs, pela Flammarion). O que se observou, no Brasil, à altura e na sequência, numa ação orquestrada pela vertente socialista, foi uma campanha despeitada de apagamento da relevância de sua obra, levada a cabo por eminentes setores do jornalismo, na dianteira os remanescentes da geração do Pasquim, operosos na restrição da diversidade cultural e livre expressão do pensamento


MONTELLO, Josué. Antes que os pássaros acordem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.


                                                                   

                                                               (Imagem; Estante virtual)

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