Faleceu no Rio de Janeiro, nesta madrugada, vítima da covid-19, o escritor carioca Sérgio Sant'Anna. Nas décadas de 60 a 70, viveu em Belo Horizonte, relacionando-se com Murilo Rubião e novos autores, tendo estreado com os contos de O Sobrevivente (1969), obra que lhe valeu o convite para participar do International Writing Program, da Universidade de Iowa, EUA. Em sua evolução, expande o formato do conto, em intenso diálogo com outras formas de expressão e outros gêneros, num texto ágil, inquieto, cético, cheio de referências culturais, sem, porém, desdenhar as contingências e asperezas da condição humana - Notas de Manfredo repórter, (a respeito de Kramer), de 1973; O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro, de 1983; Senhorita Simpson, 1989; Breve história do espírito, 1991; O monstro, 1994; O voo da madrugada, 2003; Páginas sem glória, 2012, em que aborda ficcionalmente o futebol. Compõe romances experimentais, inovadores, de forte moldura satírica, incorporando ingredientes pós-modernos, desde Confissões de Ralfo, (1975), repassado de aspectos autobiográficos, passando por títulos marcantes - Simulacros (1977); A tragédia brasileira, (1984), teatro-romance; Amazona (1986); Um crime delicado, (1997). Tive o prazer de conhecê-lo, nos doze anos em que morou em Minas, retendo, na lembrança, seu jeito extrovertido e brincalhão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário