Total de visualizações de página

Pesquisar este blog

sábado, 9 de agosto de 2014

Miriam Leitão

      Como outros profissionais dissidentes que têm vivenciado e relatam perseguições e boicotes, os jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sandenberg foram alvos da fúria do aparelhamento estatal promovido pelo petismo. Os dois jornalistas tiveram os perfis no Wikipedia, enciclopédia colaborativa da internet, alterados com informações negativas, falsas, que, agora, se descobriu terem sido postadas de computadores do Palácio do Planalto. Em linguagem direta: de máquinas instaladas no endereço da Presidência da República. O fato reveste-se de gravidade por configurar uso do aparelho estatal contra cidadãos, por suposto delito de opinião. O nome disso é autoritarismo político, ingerência espúria contra a liberdade.

(Foto: evento "Sempre um papo", lançamento do romance Tempos extremos, em Belo Horizonte, 5 ago.)

      Miriam Leitão é uma brilhante jornalista da área de economia, cuja história de vida é um exemplo de luta pela democracia e direito de se expressar. Presa à época da ditadura, "grávida de quatro meses" do primeiro filho, nos piores três meses vividos, por não poder ler, como afirmou em lançamento recente, conseguiu afirmar-se como profissional independente, reconhecida pela isenção, competência e seriedade. Em 2012, seu livro Saga brasileira foi agraciado com o Prêmio Jabuti, de jornalismo. A partir de livros ditos infantis e do romance Tempos extremos, saído do prelo, a partir de agora, é uma escritora consumada, sem nenhum favor. Vale a pena ler a sua coluna publicada hoje, em alguns jornais do país, sob o título de "À margem da lei". Recentemente, o Banco Santander, sob pressão, demitiu funcionários que publicaram nota alertando a respeito dos riscos para a economia, caso o atual governo se reeleja. Só mesmo os ingênuos não percebem os riscos para a democracia.

      A seguir, fragmentos do artigo de Miriam Leitão.

      "Há, em qualquer democracia, um debate público, e eu gosto de de estar nele. Mas postaram mentiras, e isso pertence ao capítulo da calúnia e difamação.
      Tenho 40 anos de vida profissional e um currículo do qual me orgulho por ter lutado por ele, minuto a minuto. (...)
      O Planalto afirma que não tem como saber quem foi. É ingenuidade acreditar que uma pessoa isolada, enlouquecida, resolveu, do IP da sede do governo, achincalhar jornalistas. (...) Este governo desde o princípio não soube lidar com as críticas, não entende e não gosta da imprensa independente."

LEITÃO, Miriam. "À  margem da lei". O tempo, Belo Horizonte, Economia, 9 ago. 2014, p. 12.
   

Nenhum comentário:

Postar um comentário