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domingo, 19 de junho de 2011

Contradições e descompassos


Com certa constância, somos tomados de uma sensação de desconforto, ou ficamos sem entender direito porque alguma coisa é daquele jeito. Algum compartimento não bate bem com o outro, alguma coisa está deslocada. Nada muito grave, a ponto de nos encaminhar para o Pinel, mas estranhamos.

Um exemplo simples, para ninguém dizer que não compreendeu. O meu/nosso querido Cruzeiro, após brilhante campanha na Libertadores, mesmo sendo desclassificado quase no final, perdeu para o Figueirense, no Brasileirão. Dá pra entender?

Os jornais de hoje deram que viver no Brasil é mais caro que nos Estados Unidos, em torno de 30% mais caro. Complicado: o que dizer da contrapartida em qualidade de vida? É evidente que levamos desvantagem.

Durante algum tempo torcia para que uma coisa influenciasse a outra. Belo Horizonte sedia um dos grupos teatrais mais inventivos e criativos do país, o Galpão, com atores de gabarito, pesquisas de linguagem e recursos cênicos. Esperava-se que o cenário teatral da cidade correspondesse a um padrão de qualidade, que um público exigente se agregasse, etc. Ledo engano: mais de 70% das peças encenadas enquadram-se no gênero besteirol, com um padrão medíocre.

Outro descompasso, este no terreno da literatura. Acreditar que, com a proliferação do miniconto, o conto curto, aumentasse o número de leitores de livros de ficção. Só se interessa pelo miniconto o leitor que já se interessa por literatura em geral, o leitor normal que aprecia narrativas mais extensas.

Pirateando a historiadora Mary del Priore, autora do livro História da intimidade, que deve ser lido com urgência: “Como queremos ser a oitava economia do mundo, se ainda batemos em gays na Avenida Paulista? A Avenida Paulista é uma das mais sofisticadas da nossa maior metrópole”. Tudo a ver.

Nossos bisavôs eram pedófilos? Parece que não. Por que casavam com meninas novinhas, a partir dos doze anos? Convém buscar a contextualização no livro atrás referido.

Ainda sobre o tema anterior, desta vez a tão propalada pedofilia na Igreja Católica. O jornalista português João Perreira Coutinho, em crônica na Folha de São Paulo, analisou a situação dessa prática no âmbito da Alemanha. Cito de memória, posso estar errado, mas a proporção é pequena: em torno de 20 mil casos, algo em torno de uns 200 envolvem padres católicos. Convenhamos, um caso que fosse, seria indesejável. Mas convenhamos.

Ao fim e ao cabo, uma estranheza histórica. O imperador Alexandre III, o Magno, da Macedônia, (Grécia), que viveu de 356 a 323 a.C. Em curto reinado, dominou o império persa, o Egito e norte da Ásia. Suas vitórias mais importantes foram em Graniscus, Issus (onde venceu o lendário rei Dario), Gaugamela e Hidaspes. No grande giro pelos continentes africano e asiático (norte da Índia e Afeganistão), revelou-se grande estrategista em batalhas, fundou cidades (seis denominadas Alexandria), tentou governar usando a cooperação de nobres persas, designando alguns como governadores. Era bissexual. Desagradou generais gregos, morreu aos 33 anos, de febre ou envenenado.


Na imagem, Colin Farrell no papel de Alexandre, em filme de Oliver Stone (2004).

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