Ao regressar de ampliada temporada na praia, do dia doze a vinte e dois últimos, recebo a notícia, passados quinze dias. Registro, com pesar, a morte de um amigo discreto e erudito, presença compulsória nos meus quatro últimos lançamentos de livros. Professor, crítico, ensaísta, premiado em concurso internacional de lições sobre Os Lusíadas (Lisboa, 1972), avesso aos holofotes, Hennio Morgan Birchal era um investigador rigoroso e incansável dos mitos e relações intertextuais entre a epopeia camoniana e as similares clássicas (Ilíada, Odisseia, Eneida). Foi, também, estudioso da obra de Eça de Queirós e pioneiro, no Brasil, na divulgação crítica do ficcionista português Joaquim Paço d'Arcos. No ano passado, ao dar a lume a terceira edição de seu trabalho máximo, mostrava-se já de saúde bastante frágil. Deixa uma obra valiosa, de exegese comparativa e comentários sobre a epopeia de Camões, acrescida de considerações linguístico-etimológicas, com prefácio de Hernâni Cidade. Helenista e latinista de renome, deixa um pequeno legado, mas inestimável, de farta e criteriosa substância. Um ser humano raro, laborioso, equilibrado e sereno, temeroso de incomodar os amigos. Como se acenar um adeus fosse um incômodo.
CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas: edição antológica, comentada e comparada com Ilíada, Odisseia e Eneida, por Hennio Morgan Birchal. 3ª ed. Belo Horizonte: C/ Arte, 2018.

sou neta de hennio e tenho muito orgulho do meu legado já tem dois anos que ele se foi e eu fiquei muito emocionada com o texto lindo. Muito obrigada
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