Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Evaldo Balbino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evaldo Balbino. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de agosto de 2017

Evaldo Balbino

     

Livro do mês:

      A poesia de Evaldo Balbino, estampada no livro Moinho, transita, hábil, por sólidos e tradicionais veios, como as trilhas aladas de Cecília Meireles: “Escrevo porque o tempo insiste / e a minha vida está incompleta”. O próprio título acolhe uma dimensão circular, de uma operação que se repete no tempo, afeita a triturar grãos. O forte simbolismo da preparação do alimento enriquece o ofício, concebido como aprendizagem e partilha de conhecimento. Recupera por vezes o estatuto primitivo do vate, de procedência ancestral, o bardo arrebatado, posto em delírio: “Minha alma é secular / como o meu corpo. / Quer copular antes da morte / que os come” (“Um modo”).


      Pulsando em rotas contraditórias, inerentes à contingência existencial, o poeta faz emergir, simultânea à aferição da implacável condição humana fadada ao sofrimento, o reiterado apelo à fruição - “Vivamos, / mesmo que os moinhos estejam mortos / e o que se trituram/ são apenas sonhos” (“Clareira”). O sujeito poético, impulsionado pelo labor de escolher e misturar palavras, equilibra-se, exposto às intempéries, entre o rigor e a impassibilidade da pedra e a leveza do ar: “Escrevamos / um moinho de pedra / incorruptível”. Escrever impõe-se como atividade fundamental, exercida sob “o nervoso atrito de meus dedos”, incapaz de eliminar o sentido da urgência: “dia após dia eu não tenho / nada mais que palavras se ofertando / ao sustento infindável dos meus sonhos” (“Entre duas margens”).



BALBINO, Evaldo. Moinho. Belo Horizonte: Scriptum livros, 2006.