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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Octavio Mello Alvarenga

 

 

Otávio Mello Alvarenga (1926 – 2010) iniciou na literatura poeta como muitos estreiam. Publicou três livros de poesia: Gesto e palavra (1946), Antemanhã (1950), Fábula do encontro (1954). Depois, revelou-se ficcionista, com o romance Doralinda (1963), de considerável recepção crítica, ao qual sucederam Judeu Nuquim (1967) e Sexta-feira, dezesseis (1971), agraciados com o Prêmio Walmap.  Após publicar obras de Direito Agrário, como Política e Direito Agroambiental (1997), deu a lume os ensaios de Mitos e valores (1956) e as memórias de Rosário de Minas (2003). Casado quatro vezes, viúvo duas, uma das quais ao perder a mulher Maria Julieta, filha do poeta Carlos Drummond de Andrade.

            Rosário de Minas, estruturado como contas de três terços, segundo a liturgia católica, reúne eventos autobiográficos do autor, misturados a situações e fatos importantes do país, desde a década de vinte, quando o autor nasce em São João del Rei, até os idos de 2001. Mistura por vezes fatos reais a outros, fantasiados. Em 1954, a bordo do “avião da Panair do Brasil que levava duas horas para vir de Belo Horizonte ao Rio”,  transfere-se para o Rio de Janeiro, como integrante da campanha presidencial de Juscelino. “Meu encanto por JK vem desde muito tempo. Eu me lembro dele – uma vaga e agradável lembrança – sentado na mesa da sala de jantar de meu avô, na rua dos Goitacazes, e todos de repente estavam cantando. Passavam os braços nos ombros uns dos outros e cantavam. Lembro-me de Juscelino, trepado numa cadeira, ajeitando um lustre de cristal, em sua casa, creio que no bairro de Lourdes. Do homem solitário, que acompanhou Júlio Soares à casa do colega Alvarenga, quando nossa empregada desarvorada com o desmaio de meu irmão Afonso, saiu pela Rua do Chumbo abaixo, procurando a casa do doutro Júlio e o destino conduziu-a ao carro dirigido pelo doutor Alkimin – e daí a pouco, chegavam à presença de dona Chloris, como três mosqueteiros vindos do Abrigo Ceará, Júlio Soares, Alkimin e Juscelino. E J. K tinha vindo de pijama como estava ao saber do assunto, sequer trocou de roupa. // Isto então não é prova de generosidade, humanidade e solidariedade, pressa em valer a quem precisava?” (p.217).  

       De forte interesse revestem-se as circunstâncias relacionadas à aproximação e visitas à família de Carlos Drummond de Andrade, decorrentes da relação amorosa com a filha do poeta. “Foi então que a menina do bonde Santa Teresa, depois de cumprir no estrangeiro grande parte de sua vida, salta para dentro de meu destino. Ela se chamava Maria Julieta, algumas amigas apelidaram-na de Juju. Raramente foi Julietinha. Para mim foi Flaminha, pela flama que teve. Reencontrei minha colega de Jardim da Infância, vivida e divorciada. Tínhamos lembranças idênticas, perseguíamos fantasmas parecidos, acertávamos as contas de jeito semelhante” (p. 63). A imagem excessiva do poeta maior passa a atormentar a vida do narrador: “Aqui entra em cena a figura do pai de Maria Julieta, poeta e cronista, cujo valor literário não pretendo discutir. // Neste rosário só serão puxadas as contas relacionadas com seu ciúme pela filha. Houve um tempo em que Carlos Drummond foi o melhor amigo que poderia almejar em minha adaptação ao Rio de Janeiro- se é que me adaptei a esta cidade. // Sua amizade transformou-se em ódio e incompreensão, a partir do momento em que as mãos de Maria Julieta voltaram a apertar (e afagar e acarinhar agora com ternura febril) as mãos do colega de jardim da  infância” (p.64). Outro núcleo interessante: os comentário sobre a obra literária do autor, agregando a repercussão crítica. 

           

ALVARENGA, Octavio Mello. Rosário de Minas. Rio de Janeiro: Lidador, 2003.







terça-feira, 18 de agosto de 2026

Federico Garcia Lorca

        Há 90 anos, em 16 de agosto de 1936, foi fuzilado por tropas fascistas do General Franco, nos arredores de Granada, o poeta espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936). Em sua homenagem, publico uma pequena mostra de seu  imenso legado. 

1910

Aqueles meus olhos de mil novecentos e dez
não viram enterrar os mortos
nem a feira de cinza de quem chora pela madrugada
nem o coração que treme encurralado como um cavalo-marinho.

Aqueles meus olhos de mil novecentos e dez
viram a parede branca onde mijavam as meninas,
o focinho do touro, a seta venenosa
e uma lua incompreensível que iluminava pelos cantos
os pedaços de limão seco sob o negro duro das garrafas.

Aqueles meus olhos no pescoço da égua,
no seio trespassado de Santa Rosa adormecida,
nos telhados do amor com gemidos e frescas mãos,
em um jardim onde os gatos comiam as rãs.

Desvão onde a velha poeira congrega estátuas e musgos.
Caixas que guardam silêncios de caranguejos devorados.
No lugar onde o sonho tropeçava com sua realidade.
Ali meus pequenos olhos.

Não me perguntem nada. Eu vi que as coisas
quando buscam seu curso encontram seu vazio.
Há uma dor de ocos pelo ar sem ninguém
e nos meus olhos criaturas vestidas. Sem nudez!


(Poeta em Nova Iorque)



                                        (Fonte: Universo Lorca)

terça-feira, 23 de junho de 2026

 

As querelas da crítica

 

                Existem postulados e paradigmas que não podem ser esquecidos por aqueles que lidam com o estudo e a análise de textos literários. Difícil isolar os temas principais, os motivos singulares que levam as pessoas à leitura. Em geral quem gosta de ler aprecia também dar uma olhada nos comentários críticos suscitados pelos livros que lê.  Nas décadas de 1960 e 1970 vigorou um encarniçado combate à crítica impressionista. Impressionismo, no caso, indiciava, de partida, comentário superficial, voo de pássaro, fôlego curto sobre o tema abordado, inconsistência conceitual, argumentação precária.  Entre a aura de ciência e a emoção subjetiva enfrentaram-se implacáveis defensores de uma tendência ou outra. Afrânio Coutinho portou-se na dianteira das críticas endereçadas à linha impressionista, defendendo com veemência a vertente norte-americana da nova crítica, no declarado esforço de atualizar os métodos de análise.

Havia os que se rotulavam historicistas, ou estruturalistas, semiólogos, humanistas, dentre outros. Os critérios e modos de crítica impressionista instalam-se na partida ou na chegada dos argumentos, tenha o enfoque o nome que tiver (historicista, formalista, nova crítica, hermenêutica, sociológica, estilística, psicanalítica). Wilson Martins elabora um vasto “Quadro cronológico da crítica”, agrupando os autores, de acordo com a datação histórica e a configuração metodológica adotada. Apresenta as seguintes linhas: gramatical, humanística, histórica, sociológica, impressionista, estética (formalista). Algumas controvérsias e polêmicas podem se arrolar, ou seja, por exemplo, incluir nas linhas historicistas e impressionistas os mais relevantes críticos literários, ou mesmo discordar de algumas afinidades (como alinhar José Guilherme Merquior, Fausto Cunha, Roberto Schwarz e Temístocles Linhares entre os críticos impressionistas).

Colocada no lado oposto da crítica acadêmica, ou do que a nomenclatura possa referir, a tendência impressionista alcançou no contexto brasileiro uma grande relevância. Álvaro Lins, militante na imprensa semanal, notabilizou-se na crítica de rodapé como o crítico por excelência, de acordo com Wilson Martins: “A posição de crítico representativo, nesse sentido, foi ocupada por Álvaro Lins, que, ao contrário de Romero e Antônio Cândido, resumiu nessa atividade a parte mais duradoura da sua carreira; fazendo e desfazendo reputações ao ritmo dos seus artigos semanais” (MARTINS, 1995, 143). O ofício exige que o crítico assuma o papel de um leitor erudito e que compartilhe suas experiências e impressões sobre a obra. Álvaro Lins exerceu a função de crítico entre 1941 e 1963, período em que assumiu a coluna de crítica literária no jornal Correio da manhã. A crítica universitária, caracterizada por acentuado rigor científico, instala-se como prática menos suscetível de equívocos e patrulha. À altura, destacou-se o esforço implacável de atualizar os métodos de análise, através da chamada nova crítica. Como ainda reconhece um especialista da envergadura de Wilson Martins, “ele (Afrânio Coutinho) concebeu A literatura no Brasil, que é a nossa melhor história literária, escrita por um contingente bastante razoável de ‘impressionistas’"(MARTINS, 1995, 184). Refere a presença inalienável em qualquer labor crítico de um fator singular, ou seja, ter em conta “nos julgamentos críticos a relatividade orgânica que os distingue” (MARTINS, 1995, 184).

No caso de se misturar a postura descritiva à pesquisa de feição semiológica, ou mesmo de perfil hermenêutico, voltado às sugestões da simbologia, ou ainda de flanco aberto à estética da recepção, teremos um discurso agregador apto a abrigar a postura interpretativa, embaralhando os jogos semânticos e os vetores de representação social, desvelando a luta de classes na crítica de orientação marxista, na linha sociológica. Por estranho que possa parecer, a diversidade de caminhos e tendências constitui índice de densidade e amplitude. Dito de forma mais cristalina, retomo outra referência do mestre paranaense citado: "A crítica vive, como o Cristianismo, em permanente agonia unamuniana, isto é, em estado de luta e contestação, nelas encontrando, por paradoxo, o seu instrumento privilegiado de progresso. No caso, as doutrinas e teorias, as metodologias e os conceitos prévios parecem opor-se e excluir-se uns aos outros, mas, na verdade, completam-se e complementam-se entre si: o único pecado mortal da crítica, conforme observei alhures, é o monismo metodológico, inevitavelmente reducionista e restritivo" (MARTINS,1995, 32).

 

MARTINS, Wilson. A crítica literária no Brasil, II. Rio de Janeiro: F. Alves, 1983.

MARTINS, Wilson. Pontos de vista (crítica literária), 10. São Paulo: T. A. Queirós, 1995.




sexta-feira, 22 de maio de 2026

Coelho Neto

 

        Passo os olhos num capítulo do romance A Capital Federal, de Coelho Neto (1864-1934). Surpreendo-me com a linguagem cuidada, ágil, vibrante. Nunca imaginei pudesse gostar de alguma coisa de Coelho Neto, autor sobre o qual foram desferidas críticas severas e cruéis, pelos modernistas. Combatido e atacado, foi alvo de uma campanha destrutiva, responsável pelo distanciamento de centenas de leitores. Reside neste processo um equívoco: afastar os leitores da produção passadista (entenda-se: de um passado que deveria ser esquecido, apagado). Além de Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, para ficar em alguns nomes, há muitos talentos, do início do século XIX à década de 1920. 

                Justiça seja feita, não é todo crítico que detesta Coelho Neto. Alfredo Bosi, em anos recentes, traça-lhe um retrato meticuloso e favorável. Nomeia-lhe os ornamentos de estilo e a amplitude de seu vocabulário, reconhecendo o esforço em expressar, numa espécie de crônica romanceada, eventos importantes da história do país. Assim, mergulha na tarefa de retratar o modo como a população do Rio de Janeiro recebeu momentos decisivos, diante da Abolição dos escravos (1888) e dos primeiros anos da República. “Toda a escala de valores do jovem Coelho Neto, as idiossincrasias do literato fin de siècle, as mazelas de uma boêmia de jornal e café, que vive entre veleidades políticas e literárias: eis o cenário e a substância de A Conquista, que irão avivar-se ainda mais em Fogo Fátuo, com aquelas mesmas figuras centrais” (BOSI, 1970, 226). Outras romances: Turbilhão, Miragem, Inverno em flor, Rei Negro, A Conquista.

              Denegrido e ridicularizado por haver produzido uma literatura opulenta, excessivamente adjetivada, carregada de alusões eruditas, Coelho Neto incorreu na sanha destemperada dos modernos. Quando, rompendo as normas, decido ler um capítulo do romance referido, dou-me conta de que caíra uma armadilha ardilosamente arquitetada por pretensos detentores do poder de criticar, arautos equivocados do bom gosto. Formados numa época de excessivos trabalhos e compromissos, ficamos seletivos na escolha de autores que merecem ser lidos. Acabamos assimilando preconceitos disseminados pelos ardorosos defensores das conquistas modernas. Coelho Neto publicou mais de cem livros, entre ficção, fábulas, crônicas e fantasias. Emprega termos eruditos, empolados, ao lado de outros exarados da linguagem popular. No frigir dos ovos, o apagamento de Coelho Neto não deixa de ser injusto. Wilson Martins propõe reconsiderar o excesso de ataques ao 'último dos helenos': 

    "Reintegremos, por consequência, Coelho Neto na história literária; para isso é preciso, antes de mais nada, que seja reintegrado na literatura, quero dizer, na corrente literária a que pertence, no momento criador em que viveu e produziu. a um leitor dos nossos dias, pelo menos a um leitor que esteja, apesar de tudo, mais próximo da literatura que da Academia, o escritor maranhense não pode deixar de parecer anacrônico e artificial. Contudo, ele não é anacrônico estilisticamente, situando-se na mesma geração e no mesmo capítulo em que se contam tantos outros escritores que admiramos: há todo o Regionalismo que vai de Afonso Arinos a Valdomiro Silveira, passando por Simões Lopes Neto e Monteiro Lobato, no qual Coelho Neto ocupa um lugar de particular significação; (...) há todo um grupo estilístico, representado por Euclides da Cunha, Rui Barbosa, Graça Aranha, e no qual Coelho Neto foi um dos expoentes inegáveis;" (MARTINS, 1991, 108). 

                “A vitória parou. Saltamos e eu, curioso de ver e de admirar maravilhas, olhei em volta. Era uma grande praça quadrada e clara, murada pelos edifícios que reverberavam à luz radiante do sol. Ao meio, sobre pedestal negro, a estátua tosca de um homem, em atitude cheia de solenidade, a mão estendida em gesto clássico de tribuna, como a alegoria icônica do meeting que é, em nossos dias, curtos e morigerados, o escoadouro da inofensiva indignação das massas. Meu tio, indicando-me a efígie escura, disse:

- José Bonifácio, o patriarca da nossa independência e da tribuna dos comícios.” (NETO, 1958, 17).

               

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970.

MARTINS,  Wilson. Pontos de vista  (crítica literária). São Paulo: T. A. Queiroz, 1991. VI.

NETO, Coelho. Romance. Rio de Janeiro: Agir, 1958. Introd. e comentários por Otávio de Faria. Col. Nossos Clássicos, v. 15. 

                                                                 Imagem: ABL.


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mílton Campos

 

Mílton Campos, na antessala do terror

 

                O que se encontra estabelecido como fonte de pesquisa sobre Mílton Campos (1900–1972) é muito pouco, restringe-se a precárias notas. Com base nesse material, pode-se afirmar tratar-se de um admirável jurista e orador inflamado, que também foi político, tendo-se notabilizado como incentivador das letras e da democracia. Publicou dois livros: Compromisso democrático e Testemunhos e ensinamentos (1972). Entre os amigos de juventude, estavam Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Emílio Moura, Martins de Almeida, Gregoriano Canedo, Mário Casassanta, Abgar Renault e Rodrigo de Melo Franco, o grupo modernista de Belo Horizonte que, em 1925, fundou A Revista. Os companheiros que se reuniam, no Café Estrela, na Belo Horizonte pacata e progressista dos anos da década de 20 a 30.

                O que os militares batizam de Revolução ficou conhecido na História como golpe militar de 1964, que se estende até 1985. São atribuídos a Mílton Campos os traços de modéstia, timidez e acessibilidade, habilidade e honestidade no trato da gestão pública. O retrato apresentado por Nava é definitivo. “O que impressionava em Mílton Campos não era só a vastidão de sua inteligência; mas sua qualidade e mais o conjunto de predicados com que ela se apresentava.” (...) Era bom, sensível, compassivo, tolerante, indulgente, generoso, amadurecido, lúcido, virtuoso” (...) Esse cético era na verdade homem bom, mas forte; tolerante, mas enérgico. Era indobrável nas suas convicções democráticas, como veio a mostrar durante a vida política” [i]. Recusou-se a referendar o ato de cassação do mandato do senador Juscelino. Publicou no periódico o artigo “Fundo de gaveta”. 

                A publicação de A Revista teria sido decidida uma tarde no Café Estrela. “Discutia-se o título e entre vários sugeridos prevaleceu o dado pelo Carlos – assim o verdadeiro padrinho de batismo de publicação. Foi quando meti minha colher achando o nome muito seco. Vá por revista – dizia eu – mas acrescente-se alguma coisa. Exemplificava. Revista modernista, Revista de Arte Moderna, Revista disso, Revista daquilo. O Carlos foi inflexível. Tinha de ser Revista e só A Revista. E hoje vejo que ele tinha toda razão. Não havia motivos para dar um programa desde o título” [ii]. O ilustre mineiro de Ponte Nova é objeto de avaliação de Wilson Martins: "É uma grata surpresa encontrar em Mílton Campos um estilista de elegância clássica, numa arte toda de litotes (como diria Gide), talvez um pouco solene, compassado e frio, como os edifícios que respondem a essa denominação, mas, em todo caso, ostentando a beleza de uma idade e exalando o perfume de um outro mundo" (Pontos de vista 9, pp.257). 

                Outro aspecto em relação ao periódico foi tratado por Nava, no volume referido de suas memórias: “A Revista marcou adesões ao modernismo e fez questão de abrir suas colunas à colaboração conservadora de Magalhães Drummond, Alberto Deodato, Iago Pìmentel, Godofredo Rangel, Pereira da Silva, Wellington Brandão, Orozimbo Nonato, Carlos Góes. Seguíamos nisso nosso próprio espírito e o conselho dado por Mário de Andrade numa carta a Drummond escrita depois de ver o primeiro número: “Faça uma revista como A Revista, botem bem misturados o modernismo bonito de vocês com o passadismo dos outros. Misturem o mais possível” [iii] .   

                Personalidade contraditória, Mílton Campos foi governador de Minas Gerais (1947- 1951), senador da República e Ministro da Justiça do primeiro governo do período de exceção, do General Castelo Branco. Como é sabido, o regime referido, que se disse movido pelo “interesse da paz e da honra nacional”, atuou no sentido de “suspender os direitos políticos e cassar mandatos” de dezenas de professores, cientistas, jornalistas, intelectuais e homens públicos, além de perseguir inúmeros adversários políticos. Solicitou exoneração do cargo, assim que percebeu a tendência autoritária do governo. Convém assinalar o descalabro do governo de Jânio Quadros que o antecedeu e iniciou a perversa campanha de desmoralização de Juscelino Kubitschek.

 


[i]  Nava, 1985, 168-169

 

[ii]  Nava, 1985, 210. 

[iii]  Nava, 1985, 213. 

 

MARTINS, Wilson. Pontos de vista. 9, São Paulo: T. A. Queiroz, 1995.

MONTELLO, Josué. Diário da Tarde. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

NAVA, Pedro. Beira-Mar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.


                                                     Imagem: jornal Parnaíba