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sexta-feira, 6 de maio de 2011

A ponte caiu 2

Para a população sacrificada pelos transtornos causados pela incompetência de instituições, o apoio de deputados da frente Transparência e Resultado confere uma nota de altivez à indignação. Liderados pelo deputado estadual Bonifácio Mourão (PSDB), parlamentares protocolaram ação cívil contra o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) na Procuradoria da República em Minas Gerais.  O DNIT poderá ser obrigado a ressarcir financeiramente a moradores e ao patrimônio histórico dos municípios afetados pela interdição da ponte sobre o rio das Velhas, na BR-381, em Sabará, próximo a Belo Horizonte. Entre os prejuízos, decorrentes dos atalhos em estradas estreitas, em local de preservação histórica, contam-se a deteriorização de cargas perecíveis, a elevação dos fretes, a redução do tráfego pesado, a demora e os riscos das viagens. "A situação da 381 é de calamidade pública. É inconcebível que milhares de pessoas, entre usuários e moradores dos municípios vizinhos sejam prejudicados pelo descaso e incompetência administrativa do Dnit", salientou Bonifácio Mourão.

(Foto de Samuel Aguiar, jornal O tempo)

Por sua vez, o DNIT prometeu iniciar as obras de duplicação dos primeiros 70 km (de um total de 310 km) da rodovia em outubro, com finalização (desses 70 km) prevista para depois da Copa, em 2014. Enquanto a ponte definitiva não fique pronta, aguarda-se, com ansiedade, a ponte metálica provisória, para os veículos leves, que se espera em funcionamento no prazo de sessenta dias. Ou seja, uns noventa dias, por aí.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A ponte caiu


O título não se refere ao conhecido e alegre comando de quadrilha de festa junina. O fato é real: caiu a ponte sobre o rio das Velhas, na altura do km 455 da BR-381. A estrada é o escoadouro da produção para o litoral e rota preferida dos mineiros a caminho das praias capixabas. O descalabro e o caos tomaram conta da região, motoristas desorientados, aumento considerável do trânsito e do tempo no trânsito nos atalhos (por Santa Luzia, mais 27 km, por Sabará, mais 54 km, ambas na grande Belo Horizonte), demora nas viagens, prejuízo no comércio afetado pela paralisação do tráfego nas imediações. Os pedestres passam a usar uma passarela temporária, construída pelo Exército.

Fotos do jornal Estado de Minas.

A ponte caiu. Uma ponte do início do século XX, estreita, ultrapassada, que, ao longo dos anos, acolheu remendos e penduricalhos (corrimão, pista de pedestres). É a estrada por onde transita mais da metade da riqueza do país, uma rota estratégica de alta densidade comercial e industrial. Qualquer estudante do ciclo médio sabe que o minério extraído em Minas é responsável por expressiva taxa da exportação do país e do PIB nacional. E a contrapartida é irrisória: a compensação financeira paga pelos exploradores (os royalties) é inferior àquela do petróleo. Enquanto a exploração do petróleo paga em torno de 8%, a exploração do minério de ferro paga apenas 2%, no seu patamar mais elevado (oscila entre 0.3% e 2%). O debate tem chance de tomar relevo em face do transtorno causado pela queda da ponte. Minas precisa pensar grande, diante dos prejuízos ambientais provocados pela riqueza natural (depois do ouro, o minério de ferro) e de sua espessura histórica. Crateras, poeira tóxica, violenta degradação da natureza, doenças respiratórias e de pele são, entre outros prejuízos, a herança mais conhecida da mineração, uma riqueza finita, é bom lembrar. Basta de compensar a degradação da natureza com festival de celebridades, coretos e praças de esportes.

Cabe aos políticos mineiros apoio ao empenho do senador Aécio Neves nesse sentido: desde 2009 tem se manifestado favorável a uma nova negociação na questão da política compensatória. Cabe àqueles que foram prejudicados pela queda da ponte vigilância e intransigência na cobrança de seus direitos. Entre eles me situo. Uma vez por semana trafego na rodovia 381, por compromisso profissional. E o desgaste já é visível, o trajeto que era feito em uma hora e quarenta minutos agora demanda duas horas e meia. No atual estágio do desenvolvimento outra e mais moderna ponte já devia ter sido construída. Demorou para cair.