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sábado, 21 de março de 2015

22/03/2015, Dia da Poesia: Henriqueta Lisboa

          CICATRIZ

O transeunte traz
no rosto uma cicatriz.
Um sinuoso gilvaz
talvez por motivos vis.

O rosto era de tão belo
talhado para navalha.
E fímbria de lua em duelo
de lâminas o retalha.

Hoje o rosto de ira e anelo
tem arrogâncias viris.
Secretamento mais belo
com esta flor de cicatriz.

(De Miradouro)


                                                  (Imagem:vidaslusófonas.pt)
        OS ESTÁGIOS

        (...)
        4

Talvez exista um novo reino
para muito além das fronteiras
do mineral, do vegetal, do animal.
Talvez a desaguar do oceano
salpicada de primevas espumas
outra aurora se faça. Talvez.
Aleluia por esse talvez. Aleluia.

(De O alvo humano)