Transcrevo um breve apontamento de Gustavo Corção (1896-1978), colhido em Josué Montello, que o descreve como o "pensador da palavra translúcida". Na cultura brasileira, Corção talvez seja um dos pontos altos do pensamento moralista, acrescido de uma veemente militância católica. Por influência da leitura dos pensadores Chesterton, Maritain, e do amigo Alceu Amoroso Lima, Corção converteu-se ao catolicismo, tendo publicado artigos na revista A Ordem na década de 40. Em 1944, publicou A descoberta do outro, livro em que se afirma como escritor, registrando o percurso de sua busca espiritual. Vieram depois a coletânea de ensaios, Três alqueires e uma vaca (1946), Lições de abismo (1951), romance de forte mergulho existencial, em que se debatem conflitos que viriam se tornar marcantes nos anos seguintes, o sentido da vida, o amor, a morte, a privação de Deus concebida como um vazio insuportável. Segue a citação: "O desejo masculino é um querer ir; o feminino é um querer que venha".
Nos dias que correm, em que a ideologia de gênero vai se insinuando com tenacidade, falta esboçar a reflexão sobre o desejo dos gays. Seria a junção dos dois desejos? Ou um desejo outro, a ser formulado sempre que se revela?

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