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domingo, 27 de janeiro de 2019

A tragédia de Brumadinho

      Uma barragem de minério, propriedade da Vale, ruiu no início da tarde no último dia 25 em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Horário de almoço, por volta das 13 hs, o restaurante da empresa, que foi totalmente destruído,  estaria repleto de funcionários. Os últimos dias tem sido marcados pelos trabalhos de resgate de sobreviventes e de mortos, envolvendo em torno de 14 helicópteros, dezenas de ambulâncias,  inúmeros bombeiros, policiais civis e militares, profissionais de saúde e de emergência. O último boletim divulgava os seguintes dados: 37 mortos, 23 hospitalizados, 256 desaparecidos, 192 resgatados. Os animais também tem merecido cuidados. O dia de hoje amanheceu com alarme de sirene, que não ocorreu dois dias atrás: havia risco de rompimento de outra barragem. Após três horas de paralisação, minimizado o risco, o trabalho de resgate recomeçou.

                                                                (Imagem: O Globo)

      Diante do ambiente de pânico e comoção, enquanto se procura entender o que seria uma tragédia, uma fatalidade ou um acidente, algumas considerações se fazem urgentes, tendo em vista a magnitude do evento.
      A tragédia é reincidente: em 2015, em Mariana, cidade a menos de cem quilômetros da capital, ocorreu o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério, com o saldo de l9 mortos, danos ambientais de monta, que incidiram no curso dilatado do Rio Doce, atravessando todo o estado de Minas e Espírito Santo, desaguando no Atlântico, com reflexos terríveis na qualidade de vida e na economia da região. O recente rompimento da barragem em Brumadinho terá efeitos humanos mais devastadores, tendo em vista a densidade demográfica do entorno. O número de mortos infelizmente tende a aumentar. 
      É natural que, misturado à tristeza, o sentimento de indignação tome conta das pessoas. A direção da Vale assegura que a barragem era tida como segura, sob controle, sem risco. E o pior acontece. De um lado, faltam fiscais e verbas, que seriam da competência do Estado. Os olhos de todos voltam-se para a política de desenvolvimento mineral, com suas licenças, laudos de funcionamento, alvarás e garantias. Quem são os responsáveis por tais documentos? Como se processam essas licenças? Quais são os trâmites para todo o processo? Pelo que se sabe, tudo ocorre nas esferas do Estado e do País. Ao município, caberia quando muito a anuência, após todas as liberações. Ora, estamos falando de uma empresa conhecida internacionalmente, a Vale. Fala-se agora da revisão de muitas normas reguladoras. Sabe-se, também que nem sempre as relações entre empresas mineradoras e agentes públicos se deram de forma transparente e correta. Não seria a hora de investigar a fundo? O mais rápido possível. Como país rico em recursos naturais, o Brasil precisa rever a periodicidade dos laudos, os planos de segurança e emergência, de forma científica, competente e confiável, com a devida penalização de culpados, quando houver.  
      

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