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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Chico Buarque 2

       Atuar no campo cultural, na contramão da imprensa dita progressista (simpatizante do PT), não é moleza. Mas vamos lá. 
       A namorada do filho mais velho passou-me as primeiras (e definitivas, ao que parece) reações diante do romance que uma amiga lhe emprestou, o badalado e excessivamente premiado Budapeste, de Chico Buarque. Interrompeu a leitura. E desanca: digressões rasas, história pouco interessante, a narrativa sem cadência, apressada, uma frase com ritmo diferente da anterior, grandes blocos narrativos desprovidos de diálogo, um estilo de elegância postiça, enfim, um sacrifício. Parece um livro escrito por um coletivo, grupo de autores de tendências distintas e formação desencontrada. Em suma: transmite a convicção de ter sido obra encomendada, miscelâneas de escritas; ao final da operação, atribui-se um título e uma autoria. Atraídos pelo renome do autor, os leitores compram, os prêmios pegam a rabeira na intensa, exaustiva divulgação na mídia.  Vai entender o que se passa.



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Libério Neves (1934-2019)


       

                                              (Foto:cartografosdavertigemurbana)

       Morreu no último dia 12 o poeta Libério Neves (1934-2019). Nascido no interior de Goiás, morava em Belo Horizonte desde 1952. Publicou mais de vinte livros, entre infantojuvenis e coletâneas de poemas, alguns premiados, dos quais se destacam Pedra solidão (1965), O ermo (1968), Pequena memória de terra funda (1971), Mil quilômetros redondos (1974), Força de gravidade em terra de vegetação rasteira (1978), Mineragem (2006), Papel passado, antologia (2013). Após um breve namoro com o concretismo, alcançou o próprio caminho poético, discorrendo sobre temas telúricos, amorosos e do cotidiano, numa linguagem depurada, concisa, enxuta, de ritmo curto, espontâneo.

     

       Isopor
       o isopor
       preserva o frio
       e o calor.

       A água fria
       dentro do isopor
       assim fica fria
       o tempo que for

       (quentinha fica
       a mamadeira
       dentro do isopor).

       O isopor
       isola o tempo
       em seu vazio
       interior.

      Pra conservar
      a alegria
      é só pôr o amor
      num coração
      de isopor.

    De
Mineragem (2006)



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Oliveira Martins

Livro do mês:

       Em Os filhos de D. João I, o historiador português Oliveira Martins (1845-1894) mergulha demoradamente na história medieval lusa, abordando os eventos que envolvem o governo de D. Duarte e o de D. João II. Imputa ao gosto pelas palavras, por parte de D. Duarte, a sua frágil gestão: ”Foi o literato coroado, com os vícios e qualidades desta classe de homens, e, sobretudo, com essa paralisia da vontade que provém da inclinação fatal de comunicar ao próximo, escrevendo, aquilo que se pensa e por isso se imagina querer. A literatura tem esse defeito inerente: toma a nuvem por Juno, confundindo as obras com as palavras” (Martins, 1998, 134).O título inclui os filhos de D. João I e D. Filipa de Lencastre, denominados por Camões de "ínclita geração, altos infantes", os cinco príncipes de Avis: Duarte, Henrique, Pedro, Fernando e João. O historiador reconhece no livro do rei D. Duarte, (O leal conselheiro) uma espécie de saber que se confunde com os parâmetros morais e difusos da época, uma compilação confusa de todas as ideias morais e filosóficas do tempo, em suma, uma filosofia anêmica e desfibrada. 
       Cedendo às pressões do irmão D. Henrique, o obsessivo estrategista da futura expansão ultramarina, D. Duarte aprova atabalhoadamente a tomada de Tânger, uma empresa fadada ao estupendo fracasso. Com base em sólidas pesquisas (Azurara, Rui de Pina, Fernão Lopes), Oliveira Martins expõe a grande diferença numérica entre o exército português e as forças militares muçulmanas: seis mil soldados do lado luso, enquanto os mouros somavam mais de sessenta mil combatentes. D. Fernando, e alguns fidalgos, são feitos reféns: o príncipe luso será sacrificado pelos mouros, na sequência de uma jornada mal preparada, de negociação mal conduzida. Após atravessar aldeias, perseguidos por pedradas e humilhações, a comitiva feita refém será dizimada pelos mouros. Alega-se ter sido pactuado um escambo (devolver o príncipe D. Fernando vivo, em troca da entrega de Ceuta, conquistada anteriormente pelos portugueses). A derrocada final é patética:

No dia seguinte, sexta-feira, 11, houve trégua; mas no sábado, logo de manhã, às sete horas, repetiu-se o assalto, que felizmente foi rechaçado. De que servia, porém, fugir a uma das mortes, se a outra estava de goela aberta para os tragar? Já não havia lenha, nem carne, senão a do cavalo, que devoravam quase crua, assada nas palhas das albardas e selas. Também não havia água, e enganavam a sede chupando o lodo infecto da praia (Martins, 1998, 178-179).

       Embora proclamem imparcialidade e crença em convicções universais, os historiadores portugueses não abdicam do fervor nacionalista. Produto intelectual de um século cientificista e racionalista, Oliveira Martins não consegue se livrar de uma sensação de decadência fatalista. Não se trata de compor frases redondas, de ressonância reflexiva, mas da contaminação de um contexto maior. Oliveira Martins pertenceu à ilustre geração dos autores reunidos sob o epíteto de Os vencidos da vida, que agrega os amigos Eça de Queirós e Antero de Quental..


MARTINS, Oliveira. Os filhos de D. João I. Lisboa: Ulisseia, 1998.






terça-feira, 9 de julho de 2019

João Gilberto (1931-2019)

     Foi enterrado ontem o corpo do cantor e compositor João Gilberto, falecido sábado no Rio de Janeiro. Considerado o criador da Bossa Nova, desenvolveu uma técnica bastante pessoal  e ousada de cantar, tendo influenciado um grande número de músicos brasileiros nas últimas décadas. Contava 88 anos, gravou uma versão inovadora da canção "Chega de saudade", com uma voz suave, uma batida diferente no violão, um ritmo envolvente, dotado de extrema leveza e doçura, como se fosse um canto sussurrado. Seu trabalho musical, de altíssima qualidade, alcançou projeção muito além das fronteiras nacionais. 

                                                     (Foto: luishipolito.blogspot. com)

sábado, 22 de junho de 2019

Afonso Arinos de Melo Franco



Livro do mês

       Para Afonso Arinos de Melo Franco, de acordo com o raciocínio desenvolvido em Planalto (1968), um dos fatores responsáveis pelo colapso do governo Jânio Quadros está ligado estreitamente à questão cubana. A opinião pública teve do caso uma visão superficial. Era a primeira vez que um movimento revolucionário latinoamericano se deixava “orientar conscientemente pelas doutrinas esquerdistas. (…) O México, que poderia ser citado como exemplo em contrário, de fato não o é. Na verdade, a revolução mexicana, iniciada no começo do século e, hoje, solidamente instalada no poder, pode ter o seu caráter discutido, mas uma coisa é certa: não, ou, pelo menos, não se tornou uma revolução socialista. Antes se reveste de aspectos conservadores, dentro de um quadro reformista e, principalmente, nacionalista” (MELO FRANCO, 1968,76). O diplomata mineiro refere-se desta forma à participação norteamericana: “A questão cubana, desastradamente abordada pelo inexperiente governo de Kennedy, nos Estados Unidos, dominou o panorama nacional, provocando uma cadeia de reações que ia do sectário e do medroso de boa fé, ao interesseiro sem ela (interesseiro, por motivos econômicos ou políticos), unindo-se tudo numa espécie de torrente de pânico que, em breve, colocou o novo governo sob as maiores e mais infundadas suspeitas” 
(MELO FRANCO, 1968,76). Nesta página, descreve ainda a ‘inépcia do governo Eisenhover’. A questão prestou-se à evolução de uma campanha direitista contra a politica externa levada a cabo pelo Ministro das Relações Exteriores de Jânio. No caso, o próprio Afonso Arinos M. Franco.
       Vai-se cristalizando a impressão de que setores da esquerda brasileira tentaram direcionar o governo Jânio Quadros para o lado soviético, com um presidente simpatizante de um viés ideológico socialista. Os traços pitorescos do presidente – a vassoura, o jeito estabanado de agir, as medidas adotadas (proibição de brigas de galo e de biquínis), longamente divulgadas e discutidas, seriam elementos adequados para a consolidação de um líder socialista grotesco, investido de fortes poderes. No comando da política externa, Afonso Arinos M. Franco postava-se como alvo de veementes ataques de setores da direita e do empresariado. Esta atuação, diametralmente contrária à tradicional concepção epicurista de diplomacia externa, calcada em festas de salão e viagens, deixou o ministro exposto às pedradas da imprensa e dos setores conservadores. Ao longo do volume, somos confrontados com a bagagem cultural, a lucidez, o rigor das argumentações e o acúmulo de índices lógicos na postura do Ministro das Relações Exteriores. Além de situações políticas, como o justo resgate do presidente Quadros, o autor se detém em episódios da vida cultural do país, como a amizade com Guimarães Rosa, no período em que o autor de Grande sertão: veredas prepara-se para tomar posse na Academia, vindo a falecer na sequência.





MELO FRANCO, Afonso Arinos de. Planalto. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1968.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Clóvis Rossi (1943-2019)

      Morreu em São Paulo o jornalista Clóvis Rossi, nome renomado na imprensa escrita desde os anos 70. Trabalhou na redação dos maiores jornais do país, como Correio da Manhã, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo (desde os anos 1980). Considerado um mestre pelos colegas jornalistas, Clóvis Rossi merece o respeito e o apreço de todos pelos inúmeros artigos e reportagens que produziu, cobrindo toda espécie de eventos, desde o golpe militar no Brasil (1964), eventos esportivos  e históricos em países da América Latina e da Europa, Copas de Mundo e Olimpíadas. Participante, acompanhou e descreveu vários eventos de grande comoção popular, como incêndios de grandes proporções, sem se deixar contaminar pela submissão ideológica a qualquer lado que fosse. Escreveu os livros Militarismo na América Latina e O que é jornalismo. A sua morte me entristece, em decorrência da disponibilidade que sempre demonstrou nos momentos em que lhe solicitei informações, respondia com interesse e precisão, como quando escrevi minha dissertação de mestrado. Uma perda enorme para a cultura do país. 
                                                 (Foto: blogdojuca,com.br)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Agustina Bessa-Luís (1922-2019)

       Morreu Agustina Bessa-Luís, a grande romancista portuguesa, autora de uma notável obra, iniciada em 1948, com Mundo fechado. A notoriedade, porém, só veio com a publicação de A Sibila, em 1953, num crescente prestígio, em decorrência da qualidade revelada em suas narrativas, aliada à capacidade de criar atmosfera e mistério. Os títulos se sucedem, sempre numa plataforma refinada de competência estrutural e desenvoltura de enredo, com personagens impactantes, como Ema, Quina, Rosamaria. Outros importantes romances da autora: Os incuráveis (1955), A muralha (1957), O susto (1958), Ternos guerreiros (1960), O manto (1961), O Sermão de fogo (1963), Os quatro rios (1964), A dança das espadas ( 1965), As pessoas felizes (1975), Crônica do cruzado Osb (1976), As fúrias (1977),  Fanny Owen, transposto para as telas por Manoel de Oliveira (1979)O mosteiro (1980), Os meninos de ouro (1983), A corte do norte (1987), Vale Abraão, também filmado por M. de Oliveira (1991). Deixou ainda biografias: Santo Antônio (1973), Florbela Espanca (1979), Sebastião José (1981).

                             
                                               (Imagem: comunidadeculturaearte.com.)

sábado, 25 de maio de 2019

Vinícius Fernandes Cardoso

Livro do mês:

       Vinícius Fernandes Cardoso recolhe poemas e fotos da juventude, registrando a militância cultural de um cidadão culto e sensível, exercida episodicamente em bairros de Contagem nas décadas de 80 e 90, além de um prêmio em certame poético na cidade de Leopoldina (2014), onde morreu Augusto dos Anjos. O autor identifica-se como “poeta, escrivão do tempo”, capacitado para “cantar sua época” (“No fim sempre um começo”). Os poemas, dados a lume numa coletânea, intitulada Com o coração na boca, vestígios de um intenso e compartilhado percurso na urbe industrial, procedem de livros anteriores, como Arroubos e rompantes (1999), Leituras e andanças (2004) e A alma dos bairros (2007). Em poema que dá título a este último livro, traça um esboço de sua terra: “Contagem é uma cidade dispersa de flores / raras nascidas em solo árido resistindo / ao cansaço dos transeuntes.”


       Tentado a experimentar um poder divino, o da criação, o poeta atinge o máximo desejo de exprimir a inquietude interior no ousado poema “Oração a mim mesmo”, ponto alto de sua lírica: “Ah… Eu queria escrever um poema que fosse música / e sensação, como o solo contido de um baixo ou o / solo virtuoso de um cravo: som que cria outra / realidade na realidade e que transfigura e encanta / tudo ao nosso redor.” Inoculado desde adolescente pelo vírus da poesia, Vinícius Fernandes Cardoso, adestrado numa tradição de nomes tutelares (Bandeira, Quintana, Adélia Prado), revela uma rara sensibilidade aos pequenos incidentes do cotidiano, aos lugares acessados, às relações de amizade e parentesco, à surpreendente magia das efemérides, como nesta dionisíaca “Odisseia imaginária...”: “E agora, meu primo? /Pegue a chave, ligue o carro, / -Vamos rodar por aí! / Se estou certo desta noite ? / Claro que sim, / eu, você, a estrada e o som.” De tal forma busca transfigurar os eventos e as contingências de uma pós-modernidade massificante e estéril que, por vezes, seu estro mostra-se dissidente e desafinado:

       “Não me dê telefone, e-mail, Facebook, Whatsapp,
       Instagran, Twiter…
       Chega de paraísos artificiais!
       Estou com saudades do real!”
       (“Saudades da Realidade”)

       À semelhança de um caderno de colegial, ainda que marcado por oscilações, Com o coração na boca compagina emoções e mágoas, gritos de socorro e delírios, indagações e juras de amor, num conturbado e veemente mergulho nos limites da condição humana, em expedientes que reiteram a proximidade entre sonoridade e poesia, como no final de “O vazio da época”: “Chovia. / Íamos pela estrada escura, / éramos vento, música e chão.”
       Diante de tais evidências produtivas, num discurso poético ainda emergente, um breve reparo, no entanto, se faz necessário, infelizmente. A verdadeira poesia sempre se posiciona como trincheira de esperança, espaço neutro de ressonâncias universais, propício à floração de verberações espirituais, notas de solidariedade e de elevação metafísica. Sua natureza estética e reflexiva repele o engajamento de teor político, condizente com a comunicação de vertente panfletária. Castro Alves e Ferreira Gullar constituem monumentos excecionais, que demandam séculos para germinar, dada a excelência e dimensão de seu voo. Em tempo de excessiva polarização ideológica, e não menos rasa fundamentação teórica, qualquer engajamento explícito denota fragilidade estética, nas raias da subalternidade. As miscelâneas poéticas do autor insistem reiteradamente em acentuar o seu filão político, que labuta contrariamente à isenção artística. Ainda que se identifique com a assertiva de que o poeta é o “escrivão do tempo”, não lhe fica bem adotar um lado de militância política. Todos podem se acomodar no bosque do Parnaso, em especial sujeitos vocacionados para o convívio com as musas e delgadas entidades voláteis, suscetíveis a apelos deste naipe: “Distância não é medida geográfica. / Distância é medida interior”, como se lê no poema “Versos geniais voaram ao vento...”. Espera-se que instantes de fulgor e imagens interessantes não fiquem contaminadas por desavisadas e nocivas aderências a platitudes ideológicas.



CARDOSO, Vinícius Fernandes. Com o coração na boca: apanhado poético. Contagem: Edição do autor, 2018.



segunda-feira, 13 de maio de 2019

Suplemento Literário Minas Gerais, n º 1.383

      Para quem gosta de literatura, a chance de ler a última edição do Suplemento Literário de MG. Merecida homenagem aos cinquenta anos de produção literária de Sérgio Santana. Agrega uma ficção de minha autoria, "Alguns companheiros".

Acesse o link abaixo:
https://drive.google.com/file/d/0B_Saw17KCMAPSTJZSlJmUGJtTWpfeHM3RGpfc0h2UGc5cGdV/view?usp=sharing



quinta-feira, 9 de maio de 2019

Tamanha Poesia, v. 4, n° 7

       Tamanha Poesia, nº 7, revista on line, reúne os 45 trabalhos apresentados no II Colóquio Internacional de Poesia Portuguesa Moderna e Contemporânea II, ocorrido na UFMG em 2018.


domingo, 28 de abril de 2019

Menos investimento na área de Humanas

      Muitos eleitores votaram em Bolsonaro para impedir a vitória e continuidade dos governos corruptos do Partido dos Trabalhadores. Isto não significa que sejam cidadãos desprovidos de senso crítico, ética e de solidariedade, ou que tenham que concordar com todos os disparates em curso no atual governo. O mais recente, na complexa área da Educação, sugere que o governo pretende investir menos na área das Ciências Humanas. A postura reflete uma tendência tecnocrata que tem raízes no mais rasteiro e anacrônico Positivismo, filosofia muito cara aos militares, desde os primórdios de nossa República. Investir menos na área de Humanas, infelizmente, já tem sido feito no Brasil, nos últimos anos. 
      Dados de 2018, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a agência nacional de investimento em investigação científica, referem que as áreas de Exatas, que agregam Engenharias e Tecnologia, tiveram R$ 437 milhões de recursos. As Ciências Biológicas, Agrárias e de Saúde receberam R$ 440 milhões. As Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes receberam R$ 162 milhões, em torno de um terço do benefício às demais áreas.
      Se o governo pretende, de fato, asfixiar mais as áreas de Humanas, então, será o caos. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) afirmou seu desacordo com as declarações do Presidente, argumentando que "muitas carreiras e desenvolvimentos bem-sucedidos nas áreas tecnológicas não resultam simplesmente de conhecimento técnico. Elas requerem habilidades de liderança, inteligência emocional, compreensão da cultura, um entendimento do contexto econômico e social que as Ciências Humanas e Sociais podem prever". As pesquisas feitas na área de Humanas fornecem subsídios para as políticas sociais e as práticas implementadas por agentes das áreas de Exatas e Biológicas. Por outro lado, ignorar sua especificidade revela um pragmatismo estéril e redutor. Num país de extrema complexidade étnica e cultural, como o Brasil, desdenhar a importância das Ciências Humanas é um atestado de completo despreparo, ainda mais em se tratando de assertiva emanada do Ministério de Educação. Ao instaurar o primado da tecnologia, tenta-se priorizar o aparelhamento de controle e, na sequência, a política da mordaça. Cada vez mais se desenvolvem os espaços multiculturais, em face de movimentos migratórios e fluxos de refugiados, gerando a necessidade de compreensão de seu estatuto e insurgência. De onde virão as formas de conhecimento, compreensão e convivência? As Ciências Humanas são o laboratório conceitual e de práticas de civilização, num contexto de diversidade cultural e pluralidade de fluxos populacionais. A sociedade necessita atualizar suas formas de conhecimento de si, do outro e do mundo. Como se fosse possível silenciar o pensamento, sufocar as reivindicações de grupos culturalmente marginalizados. O Fascismo procurou fazê-lo. Conhecemos um pouco dessa história. 

                                                  (Imagem: blog.aegro.com.br)
    

Estado de São Paulo. São Paulo, A 16, 27 de abril de 2019,

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Hennio Morgan Birchal (1929-2019)

      Ao regressar de ampliada temporada na praia, do dia doze a vinte e dois últimos, recebo a notícia, passados quinze dias. Registro, com pesar, a morte de um amigo discreto e erudito, presença compulsória nos meus quatro últimos lançamentos de livros. Professor, crítico, ensaísta, premiado em concurso internacional de lições sobre Os Lusíadas (Lisboa, 1972), avesso aos holofotes, Hennio Morgan Birchal era um investigador rigoroso e incansável dos mitos e relações intertextuais entre a epopeia camoniana e as similares clássicas (Ilíada, Odisseia, Eneida). Foi, também, estudioso da obra de Eça de Queirós e pioneiro, no Brasil, na divulgação crítica do ficcionista português Joaquim Paço d'Arcos.  No ano passado, ao dar a lume a terceira edição de seu trabalho máximo, mostrava-se já de saúde bastante frágil. Deixa uma obra valiosa, de exegese comparativa e comentários sobre a epopeia de Camões, acrescida de considerações linguístico-etimológicas, com prefácio de Hernâni Cidade. Helenista e latinista de renome, deixa um pequeno legado, mas inestimável, de farta e criteriosa substância. Um ser humano raro, laborioso, equilibrado e sereno, temeroso de incomodar os amigos. Como se acenar um adeus fosse um incômodo.




CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas: edição antológica, comentada e comparada com Ilíada, Odisseia e Eneida, por Hennio Morgan Birchal. 3ª ed. Belo Horizonte: C/ Arte, 2018.


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Thomas Mann

      Livro do mês:

      O livro destacado pertence à admirável produção romanesca do alemão Thomas Mann (1875-1955), A Montanha Mágica. Declino da tarefa de esboçar uma resenha, delegando o espaço a um especialista. Permito-me apenas uma breve aproximação, colhida nas três primeiras páginas do alentado volume. No limiar do relato, o narrador convoca alguns aspectos do que será contado, salientando "os fatos recobertos pela pátina do tempo". Refere-se ao narrador como "o mago que evoca o pretérito", convicto de que estaria capacitado para narrar lentamente a história, "com exatidão e minúcia", recursos que recobrem a rigorosa prática expressiva do espírito germânico. Dirige-se o jovem Hans Castorp, frágil e inexperiente, a um Sanatório, num trem de ferro, que vence uma região montanhosa, de ar rarefeito, "por uma estrada rochosa, áspera, angustiante". Tudo começa aí. Evocação melancólica e cética de personagens eruditos e desencantados, ilhados numa estação de cura, o romance surpreende pela forma distanciada, fria e sorridente de se elaborar uma atmosfera decadente, ainda que pulsante de vida. Os aforismos perpassam muitas páginas: "O sentimento é a força viril que desperta para a vida. O homem é divino, desde que sente. Deus o criou para sentir por intermédio dele" (MANN, 1952, 623). 


      De acordo com Mansueto Kohnen: "A Montanha Mágica pode provocar diferença de opiniões no domínio ideológico ou pode ser pouco simpático por causa da atmosfera desagradável em que se desenrola, em todo caso faz parte dos documentos notáveis da época. Esta obra (...) evidencia mais uma vez que a arte de Mann, que se esgota na análise interminável, e que no fundo sempre tem um acento doentio, não pode despertar vida nova. O mundo supersazonado de Mann é um mundo de decadência.  Romance sem decisão, que formou mais uma vez artisticamente apenas o ideal da sociedade e o estilo de vida da burguesia do agonizante século XIX e do início do século XX, sem interpretar a nova forma de vida, certamente pressentida, da época vindoura.
      A Montanha Mágica possui, não obstante, todas as preferências da expressividade linguística da arte do autor de Die Buddenbrooks. Ambas as obras representam um enriquecimento essencial da prosa germânica. E ao colocar o poeta aqueles homens de ontem num sanatório, ele aí os coloca como segregados e selados, qual caso típico da antítese 'particularismo-comodismo'. Mais ainda: não só arte e artista são fenômenos de degeneração e doença, mas a própria vida se transforma em doença e decadência desesperadas. Nem a liberdade da ironia pode iludir-nos e diminuir esta cognição espantosa" (KOHNEN, 1962,114-115).   


MANN, Thomas. A Montanha Mágica. Trad. Herbert CaroPorto Alegre: Ed. Globo, 1952.
KOHNEN, Mansueto. O.F.M. História da Literatura Germânica. V. III, Salvador: Mensageiro da Fé, 1962.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Nuno Júdice

Para marcar o dia mundial da poesia, que é hoje, transcrevo um poema do poeta português contemporâneo, Nuno Júdice, extraído de O movimento do mundo (Lisboa: Quetzal, 1996).


                           Poema

Quero escrever-te um poema que
tenha um sentido claro como o
que os teus olhos me disseram.

Poderia ser um poema de amor,
tão breve como o instante em
que me deixaste ver os teus olhos.

Mas o que os olhos dizem não cabe
num poema, nem eu sei como se diz
o amor que só os olhos conhecem.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Fernando Jorge


Livro do mês:
                                             
                                               
                                                       (Capa de Victor Burton)    

      A Academia do fardão e da confusão é um livro de agradável leitura, em que pese seu tom um tanto raivoso. Fernando Jorge mergulha na história da ABL, com nítida atenção aos detalhes, reverenciando os grandes nomes que lá passaram, pondo a nu as desavenças internas (Ledo Ivo/ Eduardo Portella), o ambiente de intrigas e de compadrio. Sem criticar  nomes consagrados pela qualidade da obra e das opções assumidas, (Machado de Assis, Olavo Bilac, Graça Aranha, Tristão de Athayde, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa), não deixa de fustigar a grande maioria dos imortais. O interesse explorado pelo autor reside justamente em divulgar a rotina de conchavos, os bastidores de algumas premiações, plágios constantes, a estreita proximidade entre as personalidades políticas e literárias, os ataques recíprocos entre os candidatos ao Sodalício, o baixo nível observado em inúmeras eleições, ao longo dos tempos. Em suma, com raríssimas exceções, na ótica de Fernando Jorge, os autoproclamados imortais não passam de autores medíocres, despreparados, fragorosas inutilidades, sem talento algum (Gustavo Barroso, Osvaldo Orico, J. Carlos Macedo Soares,Viriato Correia, João Luís Alves, Ataulfo de Paiva, Osório Duque Estrada, Cláudio de Sousa, Celso Furtado e mais de uma dezena de nomes). Nesse lugar em que o mútuo elogio se tornou norma ("entreposto de ambições". no dizer de Ledo Ivo), salvam-se raros escritores dignos de pertencer à emblemática casa de Machado de Assis. Alguns autores são maltratados com impiedade injustificável, tendo em vista o seu suposto descompromisso pela liberdade de expressão, na época da ditadura (Josué Montello, Austregésilo de Athayde), ou por conta de idiossincrasia pessoal em relação à autora de Fundador (Nélida Piñon, acusada de precário domínio estilístico e gramatical).
     Ao lado da crônica demolidora, a indignação do autor volta-se contra a ABL em duas vertentes principais: o emudecimento em face das prisões injustificáveis de Monteiro Lobato e Graciliano Ramos e diante dos atos de violência praticados nos anos 70 contra a imprensa e jornalistas pelo Governo militar. "As curvaturas da casa em frente dos militares, os seus salamaleques ao ver fardas, botas e rebenques, o seu silêncio nauseabundo perante as apreensões de livros, sempre me causaram nojo, engulhos, ânsias de vômito" (JORGE, 1999,338). Fernando Jorge corrige o português de alguns escritores, mas comete também seus erros, como na pág. 211: "Vá ter mal gosto assim lá na casa da mãe Joana!". O correto seria "mau gosto".


JORGE, Fernando. A Academia do fardão e da confusão. São Paulo: Geração Editorial, 1999.
     

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Jorge Fernando dos Santos

Livro do mês:  Sumidouro das Almas




      Formado na redação do Estado de Minas, como repórter, cronista e jornalista de cultura, Jorge Fernando dos Santos, antes de publicar este romance, conquistou o prêmio Guimarães Rosa, promovido pelo Governo de Minas Gerais, em 1989, com o romance Palmeira Seca, adaptado para minisssérie de TV. Publicou também romances policiais (Reportagem mortal, 2010)  e livros infantis, como O menino e a rolinha e O menino que perdeu a sombra (2011). O autor integra uma geração talentosa, surgida nos anos 80 em Minas, ao lado de Antenor Pimenta, Carlos Herculano Lopes, Jeter Neves e João Batista Melo. 
      Vazado numa linguagem fluente, direta e colorida, o romance  Sumidouro das Almas abriga-se numa corrente regional, na sequência da trilha aberta por Afonso Arinos, seguida depois por Guimarães Rosa, Autran Dourado e Benito Barreto, cada qual com seu enfoque e processo específico. A trama traz uma dimensão universal, de que se reveste a aventura do protagonista, Faustino de Assis. Recheada de episódios de faroeste, compõe um relato envolvente em torno de garimpo, traição, fidelidade, descoberta amorosa e bandidagem.
      A narrativa torna-se apreciada pela capacidade de reproduzir paisagens e costumes sertanejos, com sutis toques poéticos e a densa atmosfera dos pedregosos atalhos do sertão mineiro.


SANTOS, Jorge Fernando dos.Sumidouro das Almas. Rio de Janeiro: Ed. Ciência Moderna, 2003.

                                               (Foto: contaumahistoria.com.br)

domingo, 27 de janeiro de 2019

A tragédia de Brumadinho

      Uma barragem de minério, propriedade da Vale, ruiu no início da tarde no último dia 25 em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Horário de almoço, por volta das 13 hs, o restaurante da empresa, que foi totalmente destruído,  estaria repleto de funcionários. Os últimos dias tem sido marcados pelos trabalhos de resgate de sobreviventes e de mortos, envolvendo em torno de 14 helicópteros, dezenas de ambulâncias,  inúmeros bombeiros, policiais civis e militares, profissionais de saúde e de emergência. O último boletim divulgava os seguintes dados: 37 mortos, 23 hospitalizados, 256 desaparecidos, 192 resgatados. Os animais também tem merecido cuidados. O dia de hoje amanheceu com alarme de sirene, que não ocorreu dois dias atrás: havia risco de rompimento de outra barragem. Após três horas de paralisação, minimizado o risco, o trabalho de resgate recomeçou.

                                                                (Imagem: O Globo)

      Diante do ambiente de pânico e comoção, enquanto se procura entender o que seria uma tragédia, uma fatalidade ou um acidente, algumas considerações se fazem urgentes, tendo em vista a magnitude do evento.
      A tragédia é reincidente: em 2015, em Mariana, cidade a menos de cem quilômetros da capital, ocorreu o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério, com o saldo de l9 mortos, danos ambientais de monta, que incidiram no curso dilatado do Rio Doce, atravessando todo o estado de Minas e Espírito Santo, desaguando no Atlântico, com reflexos terríveis na qualidade de vida e na economia da região. O recente rompimento da barragem em Brumadinho terá efeitos humanos mais devastadores, tendo em vista a densidade demográfica do entorno. O número de mortos infelizmente tende a aumentar. 
      É natural que, misturado à tristeza, o sentimento de indignação tome conta das pessoas. A direção da Vale assegura que a barragem era tida como segura, sob controle, sem risco. E o pior acontece. De um lado, faltam fiscais e verbas, que seriam da competência do Estado. Os olhos de todos voltam-se para a política de desenvolvimento mineral, com suas licenças, laudos de funcionamento, alvarás e garantias. Quem são os responsáveis por tais documentos? Como se processam essas licenças? Quais são os trâmites para todo o processo? Pelo que se sabe, tudo ocorre nas esferas do Estado e do País. Ao município, caberia quando muito a anuência, após todas as liberações. Ora, estamos falando de uma empresa conhecida internacionalmente, a Vale. Fala-se agora da revisão de muitas normas reguladoras. Sabe-se, também que nem sempre as relações entre empresas mineradoras e agentes públicos se deram de forma transparente e correta. Não seria a hora de investigar a fundo? O mais rápido possível. Como país rico em recursos naturais, o Brasil precisa rever a periodicidade dos laudos, os planos de segurança e emergência, de forma científica, competente e confiável, com a devida penalização de culpados, quando houver.  
      

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Márcio Almeida

      Livro do mês:

      Na trajetória literária de Márcio Almeida, o último livro, Vesânia (2019), ocupa um lugar de expressiva relevância e áspera resistência. Lançado recentemente, traz capa de William Júnio, conetada aos impulsos e parâmetros da linguagem eletrônica de bites e megabites. Já no título, fica implícita a fusão entre a realidade virtual e a vertigem, entre o real e a supra-realidade, entre a lucidez e a loucura. O verbete do Aurélio sobre o título (“denominação comum às várias espécies de alienação mental”) adiciona um breve relato do poeta luso José Gomes Ferreira, envolvendo uma reação vesânica (desesperada, demente) de Nietzsche a um cocheiro que agredia um cavalo – o filósofo, “em plena vesânia, se agarrou a chorar ao pescoço do animal, num protesto convulso”. Melhor companhia para um poeta que se nomeia visionário e neo-realista, impossível.

      No limiar de tudo, algo prenuncia um toque de radicalidade e delírio, de irreverência e contestação. Estamos diante de uma produção poética multifacetada, condizente com a experiência existencial crítica dos sobreviventes dos anos 70-80. Viver e escrever, desde então, consistem numa atitude, que se projeta como um compromisso histórico. A vertente inquieta da poética de Márcio Almeida, ancorada numa rica tradição, apresenta-se desprovida de certezas, mas interessada em propor questões, fazer perguntas sobre o espaço e a função da poesia na sociedade contemporânea, instaurar o desejo, dentre outros, de que a poesia se torne a expressão de um tempo forte, social e individual: “Como recuperar seu efeito mágico num tempo em que sobejam efeitos especiais? Resta à poesia tão somente ser a ‘humilhante impotência da subjetividade’ aludida por Georg Lukács? (…) O poeta envergonhou-se de ser simples, de ser inteligível, de promover recepção? (“Posfácio”).
      Nesta rota de incertezas e fugidias paragens, - engodo de luz no horizonte sempre seguinte - o primeiro bloco, o mais extenso por sinal, intitula-se precisamente “Ars poetica”, do qual extraímos as quadras seguintes do poema “Deserdados poéticos”:

E foi assim, então, que morreu a poesia:
mataram-na os ismos da evolução.
Quando o conteúdo virou só teoria
e o poeta ‘trágica resignação’.

Morreu de nada – por não fazer falta
ao consumo kitsch capitalista;
porque o poema não mata nem assalta,
não tem lugar na tela, jornal, revista.

Morreu sozinha, quando o sublime
tornou-se esgar, ruína, mercadoria;
ser poeta, função inútil, quase crime
por sobreviver do nada na aporia.

      Os destinatários a que se dirige, e entre os quais o poeta se inscreve, os deserdados poéticos, desconfiados, perdidos, num contexto de calaus, calabarbalhos e da camarilha de plantão no planalto, encontram-se hesitantes em cooptar com as instâncias dos entrelugares, do entre sem saber, dos entreolhares, fraturados. Tentam heroicamente reconquistar a nossa leveza e espontânea gaiatice, ou seja, nossa ciência com humor. Utópicos irrecuperáveis, convictos da disseminação dos bens da cultura, em plena vigência dos direitos igualitários, questionam “a produção cultural a partir da perspectiva de minorias destituídas, porque são elas que autenticam a exploração do controle, neutralizam as estratégias de resistência marginalizadas, impõem a autoridade autocrática” (“Carta aos scholars”). 
      O universo da rede de informações e contatos – a NET, com os desdobramentos de semicondutores de ligas de arseneto de gálio e alumínio,/ sodeto de chumbo e derivados de silício, – tem seu lugar ao longo dos enunciados discursivos, chegando a confundir-se com o universo linguístico crispado de conceitos, devaneios e protesto. A lamentar, o excesso desordenado de citações metalinguísticas, pretensamente eruditas.


ALMEIDA, Márcio. Vesânia. Oliveira (MG): Edição do autor, 2019.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Gustavo Corção

      Transcrevo um breve apontamento de Gustavo Corção (1896-1978), colhido em Josué Montello, que o descreve como o "pensador da palavra translúcida". Na cultura brasileira, Corção talvez seja um dos pontos altos do pensamento moralista, acrescido de uma veemente militância católica. Por influência da leitura dos pensadores Chesterton, Maritain,  e do amigo Alceu Amoroso Lima, Corção converteu-se ao catolicismo, tendo publicado artigos na revista A Ordem na década de 40. Em 1944, publicou A descoberta do outro, livro em que se afirma como escritor,  registrando o percurso de sua  busca espiritual. Vieram depois a coletânea de ensaios, Três alqueires e uma vaca (1946), Lições de abismo (1951), romance de forte mergulho existencial, em que se debatem conflitos que viriam se tornar marcantes nos anos seguintes, o sentido da vida, o amor, a morte, a privação de Deus concebida como um vazio insuportável. Segue a citação: "O desejo masculino é um querer ir; o feminino é um querer que venha". 
      Nos dias que correm, em que a ideologia de gênero vai se insinuando com tenacidade, falta esboçar a reflexão sobre o desejo dos gays. Seria a junção dos dois desejos? Ou um desejo outro, a ser formulado sempre que se revela?




MONTELLO, Josué. Diário da noite iluminada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994, 75.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Boas festas

      Saúde e paz a todos, que a espiritualidade natalina seja propícia, iluminando os caminhos do

próximo Ano. Boas festas!