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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Libério Neves (1934-2019)


       

                                              (Foto:cartografosdavertigemurbana)

       Morreu no último dia 12 o poeta Libério Neves (1934-2019). Nascido no interior de Goiás, morava em Belo Horizonte desde 1952. Publicou mais de vinte livros, entre infantojuvenis e coletâneas de poemas, alguns premiados, dos quais se destacam Pedra solidão (1965), O ermo (1968), Pequena memória de terra funda (1971), Mil quilômetros redondos (1974), Força de gravidade em terra de vegetação rasteira (1978), Mineragem (2006), Papel passado, antologia (2013). Após um breve namoro com o concretismo, alcançou o próprio caminho poético, discorrendo sobre temas telúricos, amorosos e do cotidiano, numa linguagem depurada, concisa, enxuta, de ritmo curto, espontâneo.

     

       Isopor
       o isopor
       preserva o frio
       e o calor.

       A água fria
       dentro do isopor
       assim fica fria
       o tempo que for

       (quentinha fica
       a mamadeira
       dentro do isopor).

       O isopor
       isola o tempo
       em seu vazio
       interior.

      Pra conservar
      a alegria
      é só pôr o amor
      num coração
      de isopor.

    De
Mineragem (2006)



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