Morreu
no último dia 12 o poeta Libério Neves (1934-2019). Nascido no
interior de Goiás, morava em Belo Horizonte desde 1952. Publicou
mais de vinte livros, entre infantojuvenis e coletâneas de poemas,
alguns premiados, dos quais se destacam Pedra
solidão (1965),
O
ermo (1968), Pequena memória de terra funda (1971), Mil quilômetros redondos (1974), Força
de gravidade em terra de vegetação rasteira (1978),
Mineragem
(2006), Papel passado, antologia (2013).
Após um breve namoro com o concretismo,
alcançou o próprio caminho poético,
discorrendo sobre temas telúricos, amorosos e do cotidiano, numa
linguagem depurada, concisa, enxuta, de ritmo curto, espontâneo.
Isopor
o isopor
preserva o frio
e o calor.
A água fria
dentro do isopor
assim fica fria
o tempo que for
(quentinha fica
a mamadeira
dentro do isopor).
O isopor
isola o tempo
em seu vazio
interior.
Pra conservar
a alegria
é só pôr o amor
num coração
de isopor.
De Mineragem (2006)
o isopor
preserva o frio
e o calor.
A água fria
dentro do isopor
assim fica fria
o tempo que for
(quentinha fica
a mamadeira
dentro do isopor).
O isopor
isola o tempo
em seu vazio
interior.
Pra conservar
a alegria
é só pôr o amor
num coração
de isopor.
De Mineragem (2006)

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