Atuar no campo cultural, na contramão da imprensa dita progressista (simpatizante do PT), não é moleza. Mas vamos lá.
A namorada do filho mais velho passou-me as primeiras (e definitivas, ao que parece) reações diante do romance que uma amiga lhe emprestou, o badalado e excessivamente premiado Budapeste, de Chico Buarque. Interrompeu a leitura. E desanca: digressões rasas, história pouco interessante, a narrativa sem cadência, apressada, uma frase com ritmo diferente da anterior, grandes blocos narrativos desprovidos de diálogo, um estilo de elegância postiça, enfim, um sacrifício. Parece um livro escrito por um coletivo, grupo de autores de tendências distintas e formação desencontrada. Em suma: transmite a convicção de ter sido obra encomendada, miscelâneas de escritas; ao final da operação, atribui-se um título e uma autoria. Atraídos pelo renome do autor, os leitores compram, os prêmios pegam a rabeira na intensa, exaustiva divulgação na mídia. Vai entender o que se passa.

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