Total de visualizações de página

sábado, 1 de novembro de 2014

Outsider, of course

Alguns conhecidos, no âmbito das recentes eleições presidenciais, verbalizaram o interesse em conhecer o real motivo de me envolver na campanha do candidato Aécio Neves, do PSDB. Vamos lá.
Após um período de namoro com o PT, no final dos anos 1990, tendo votado em Lula na eleição de 2002, fui me desencantando com as práticas políticas desse partido, três anos depois. Fiquei decepcionado com os sucessivos escândalos de corrupção, o aparelhamento do estado brasileiro em proveito de um grupo de políticos e empresários e o uso da máquina pública na consolidação de uma liderança populista. Mas até aí, nada de pessoal. Em maio de 2006, o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, convidou-me para o evento de lançamento do programa Minas Leitora, (criação de 1000 bibliotecas em todo o estado) ocorrido no Palácio da Liberdade. Bartolomeu Campos Queiroz, autor de minha admiração e amizade, já falecido, representou em clave brilhante os escritores nesse evento, como orador. Em setembro de 2009, num rasgo de aventura e bizaarria, criei este blog, desde o início identificado ao ofício das letras e às ocorrências do cotidiano. Passei a divulgar resenhas, ensaios, artigos, notas de vida literária, crônicas e poemas.

                              (Imagem: Casa da América Latina, em Lisboa)

O trato com o cotidiano presta-se a conviver com variadas expressões e palavras chave, à escolha do freguês. Sem incorrer no intento de exauri-las, avento a possibilidade de referir algumas, tendo como base o alfabeto. E teríamos, então: abuso, alvíssaras, aparelhamento, azáfama; bazófia, bisbilhotice, boato, burrada; catástrofe, correio, corrupção, corriola; devastação, diatribe, dívida, doação; economia, embuste, empulhação, encosto; farra, farsa, fraude, favorecimento; gaiatice, galhofa, gargalo, gestão; honra, herança, honestidade, horror; ilícito, indignação, intriga, Itaipu. Paremos por aqui, antes de ser tentado a referir, na sequência, quadrilha, Petrobrás, propina, ressentimento, etc.
Como cidadão minimamente informado, diante de condutas corruptas por parte de agentes públicos, expressei indignação, divulgando comentários de especialistas ou externando posicionamento. Paralelo ao trabalho no campo da literatura, atuei por vezes como eventual observador da dinâmica da política. Nem são muitas as intervenções na área. Acredito na importância do debate democrático de ideias. Admiro os homens públicos de trajetória honesta. Neste ano, com a possibilidade de publicar um livro em Portugal, percebi que era o momento adequado para uma viagem internacional com a família. De acordo com o editor, o lançamento seria na Embaixada do Brasil, em Lisboa, na sequência de uma prática usual, como fizera com outros autores brasileiros. Um mês antes, o editor avisa que a Embaixada brasileira havia, de forma peremptória, suspendido a autorização para o lançamento, anulando expediente anterior. A desculpa é que o prédio estaria em obras de pintura. Foi possível contatar a tempo a Casa da América Latina, de Lisboa, espaço também de prestígio, que acolheu o evento.

Fica o depoimento de alguém que não pactuou com atos ilícitos de poderosos. Se precisar do Ministério da Cultura, estou lascado de novo, por no mínimo mais quatro anos. Este é o prazo também para desbravar outras paisagens em férias: o cerrado goiano, as doces ondulações dos pampas, as praias do norte paulista e de Floripa, as estâncias hidrominerais do sul de Minas, sem falar nas escapadas para o exterior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário