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domingo, 19 de agosto de 2012

A guerra civil na Síria

     

       O conflito na Síria parece ter atingido um ponto extremo e a pacificação torna-se,  a cada dia, mais difícil de ser alcançada. No início, as notícias imprecisas davam conta de uma turbulência interna que, depois, verificou-se serem de maiores proporções. A violência entre as forças do governo e os grupos rebeldes extermina centenas de pessoas diariamente, há quinze meses. Os relatos dão conta de bombardeios em várias cidades, como Aleppo, Damasco, Azaz, onde os alvos eram os cidadãos comuns, e não o Exército Livre da Síria. Isso mesmo, as vítimas são homens, idosos, jovens,  mulheres, crianças, não soldados.  Em Assukar, recentemente, foram encontrados 13 cadáveres, as mãos atadas às costas, alvejados à queima-roupa. Os números variam, de uma agência para outra, mas nem por isso são menos desconcertantes, assustadores. A ONU fala em 18 mil mortos, o Observatório Sírio de Direitos Humanos admite que os mortos ultrapassam a marca dos 23 mil.


      O Conselho de Segurança da ONU continua dividido: de um lado, Rússia e China desfavoráveis a sanções, do outro, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos pressionam por sanções duras ao governo de Assad. Diante das dificuldades na implantação do plano de paz, Kofi Annan, que se posicionara contra a permanência do ditador, afasta-se do cargo de negociador; assume o diplomata argelino Brahimi, ao qual desejamos sucesso. Especialistas afirmam que o governo sírio comete crimes de guerra contra a humanidade. A demora na solução do impasse preocupa, quanto mais tarda, mais a barbárie se intensifica, ampliando as mortes, as mutilações, o risco de epidemias, fome, a destruição generalizada.
      Diante da falta de consenso entre os membros do Conselho de Segurança, os países emergentes deveriam forçar ações pela paz. A diplomacia da conciliação parece amputada. Em sua coluna de hoje, na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi declara-se, também, cético: "Esclareço que, para mim, tais recursos já se esgotaram, mas aceito a visão do Itamaraty de que ainda cabe esperar mais (espero que ainda sobrem sírios vivos e inteiros quando a diplomacia brasileira achar que é hora de endurecer, mesmo que seja sem perder a ternura)". 

      (Imagens: Shaam News Networkq |AFP)

ROSSI, Clóvis. Dilma, desça do muro na Síria. Folha de São Paulo. São Paulo, Mundo, p. 22, 19 ago.2012.

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