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domingo, 15 de abril de 2012

E aí, cara pálida?

          Ainda duvida?
          Faço destacar o artigo de Vittorio Medioli, publicado hoje, pelo que traz como reflexão diante da atual conjuntura. Afastado algum tempo por problemas de saúde, retorna lúcido e combativo o jornalista e bem sucedido empresário, a despeito das adversidades vividas. Diz coisas que muitos profissionais não têm coragem de dizer, beirando por vezes as raias do desempenho brilhante. Revela independência e altivez ao discorrer sobre política, bem distante de legião de coniventes babaovos e rabos-presos. A seguir, fragmento do artigo, aqui ilustrado com imagem do sul da Bahia. Local propício para se lavar e desinfetar a inhaca da corrupção com o erário público, por sinal.


"O caixa 2, o grande escoador de recursos subtraídos da coisa pública, virou financiamento não contabilizado de campanha. A gatunagem em suas inesgotáveis e sofisticadas versões foi obcecadamente defendida pelo chefe de Estado. Ele se interpôs, com sua estonteante popularidade - concedida a ele pela propaganda e pela capacidade inigualável de surfar qualquer ondulação do noticiário - entre os gatunos e a população, protegendo os próprios gatunos que furtavam o dinheiro do povo. Não se registraram acanhamentos em culpar a imprensa, demonizar os denunciantes, acusando complôs inexistentes, criando fatos e factoides pela conveniência do projeto imperial, do chefe e da chefa do Estado. Depois, o tempo e outras gatunagens se encarregavam de abrandar e arquivar as primeiras. Valeram as redes sociais e partidárias, bem como a máquina estatal, um exército foi assoldado como cinturão defensivo e, ao mesmo tempo ofensivo para apagar os incêndios ou criar outros que amortecessem a ira popular.

Aviltante, mas não houve uma só punição contra os larápios, comodamente abrigados nos meandros públicos, e em cargo de alta periculosidade financeira. Palocci saiu pelos fundos, ficou milionário em sua quarentena a ponto de lhe custar a demissão do novo cargo ministerial.

O país assistiu, também, impassível ao fuzilamento eleitoral comandado abertamente pelo ex-presidente, o mais recente "doctoris causae" e "gênio" que o Brasil ostenta para o mundo. Foi ele quem tirou do Congresso Nacional deputados e senadores de mais denso conteúdo humano e intelectual que não se ajoelhavam a ele e até o sombreavam pela estatura e qualidade de posições em favor da nação agredida.

O último Congresso perdeu valores e pasto de engorda. Foi tirado do Senado com a força do poderio econômico, Artur Virgilio, brindando o presidente, em seguida, a façanha. Com o mesmo copo de champanhe se inaugurou a temporada de terror com caça ao opositor".
(...)
MEDIOLI, Vittorio. Tratar de política. O tempo. Belo Horizonte, pag. 2, 15 abr.2012.

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